07 de outubro de 2026

Cooperação internacional entre universidades acelera a busca por tratamentos de Alzheimer, epilepsia e leishmaniose

Com gestão Fundep, projeto reúne pesquisadores da Unifal e de outros cinco países para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças neurológicas e negligenciadas

Pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF) da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) têm se dedicado à busca por novas substâncias com potencial farmacológico - um processo longo e complexo para criação de novos medicamentos, que exige infraestrutura científica de alta qualidade e equipe qualificada. É nesse contexto que se insere o projeto Redes de colaboração internacionais, financiado pela Fapemig e gerido pela Fundep.

A parceria com grandes centros de pesquisa da Itália, Portugal, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos tem impulsionado a mobilidade de professores e estudantes por meio de intercâmbio e promovido a realização de ensaios biológicos avançados para demandas de saúde coletivas que impactam diretamente a população brasileira.

Busca por tratamentos mais eficientes e de menor custo

Entre os destaques está a pesquisa liderada pelo professor Cláudio Viegas Junior, da Unifal, em parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália. O estudo busca identificar substâncias candidatas a tratamentos capazes de retardar ou abrandar a evolução de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Já o professor Diogo Carvalho, também da Unifal, lidera estudos em parceria com a Universidade do Porto, em Portugal, para a descoberta de novos compostos para o tratamento de doenças parasitárias negligenciadas, como a leishmaniose. Devido ao baixo retorno financeiro para grandes indústrias farmacêuticas, pesquisas sobre essas doenças, que atingem prioritariamente populações de países em desenvolvimento, dependem fortemente das universidades públicas, que buscam desenvolver tratamentos de baixo custo para populações vulneráveis.

"Isso vai permitir que a gente avance na cadeia de desenvolvimento de novos produtos farmacêuticos. São ensaios mais robustos, mais completos, mais aprofundados, que conseguem caracterizar o real potencial dessas substâncias com as quais a gente trabalha aqui no nosso Programa", explica o pesquisador.

Outra vertente do projeto, liderada pela professora Maria Goulart em colaboração com instituições de ensino norte-americanas, estuda os mecanismos de ação do canabidiol no tratamento de quadros convulsivos e epiléticos.

Sistema Multiusuário da Faculdade de Ciências Farmacêuticas

O projeto também permitiu modernizar os laboratórios da Universidade, com a compra de novos equipamentos para o SIMFAR - Sistema Multiusuário da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unifal, uma infraestrutura de ponta que integra laboratórios e equipamentos de alto nível técnico.

Entre as aquisições, destacam-se um sistema moderno para análises em neurociência – voltado ao mapeamento e monitoramento de atividades elétricas cerebrais, neurotoxicidade e neuroplasticidade – e novos sistemas de cromatografia líquida de alta eficiência, essenciais para realizar a separação e a análise química precisa de substâncias complexas.

“Tecnologias como essas aproximam a universidade dos padrões internacionais de pesquisa e estabelecem um canal direto e simétrico de diálogo acadêmico com instituições de outros países, posicionando a universidade no circuito acadêmico global”, explica o pesquisador Diogo Carvalho.

Os resultados também contribuíram para a avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que consolidou o PPGCF com a nota 5, o que insere o programa entre os melhores do país. No total, sete programas de pós-graduação e 39 docentes da Unifal participam do projeto de colaboração internacional.

(Confira também o impacto do projeto nas pesquisas da Universidade no combate a superbactérias).