
Projeto Evita Dengue
O projeto Ensaio randomizado por cluster para avaliação da eficácia de mosquitos Aedes aegypti infectados com Wolbachia na redução da incidência de infecção por arbovírus no Brasil - Projeto Evita Dengue teve início em 2020 e tem o objetivo de testar a eficácia do método Wolbachia na redução da incidência de arboviroses – doenças que são transmitidas por mosquitos – incluindo dengue, Zika e Chikungunya.
O método Wolbachia consiste na inserção de bactérias Wolbachia, naturalmente encontrada em 60% dos insetos na natureza, e que no mosquito Aedes aegypti pode reduzir sua capacidade de transmitir a dengue, Zika e Chikungunya.
Uma vez que os mosquitos com Wolbachia são liberados no meio ambiente, eles se reproduzem com mosquitos nativos e começam a transmitir a bactéria para os descendentes. A partir dessa liberação, a proporção desses insetos aumenta, tornando os demais mosquitos daquela área menos capazes de transmitir arboviroses.
Com previsão para ser finalizado em 2024, o projeto é uma parceria da World Mosquito Programa (WMP), organização global sem fins lucrativos, com a Universidade Federal de Minas Gerais. Além disso, o estudo é executado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e conta com o apoio administrativo-financeiro da Fundep.
Método Wolbachia
O Método Wolbachia foi desenvolvido pelo WMP e lançado pela primeira vez na Austrália, em 2011. O programa agora está ativo em 11 países. No Brasil, o primeiro município a realizar o estudo foi Belo Horizonte, como ferramenta complementar às demais ações de controle das arboviroses. Atualmente, o projeto está em expansão para Campo Grande (MS) e Petrolina (PE).
A implantação do Método do WMP na capital mineira contou com o apoio administrativo e financeiro da Fundep e foi realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de Emory, universidade da Florida e Universidade de Yale. São parceiros, ainda, o Laboratório de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, a Prefeitura de Belo Horizonte, a Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais e o Ministério da Saúde.
Desenvolvimento do projeto e resultados
A estratégia de pesquisa contou com a participação de 3,5 mil crianças, na faixa etária de 6 a 11 anos, matriculadas em 58 escolas públicas municipais de Belo Horizonte selecionadas para participar do projeto. As regiões onde ficam 29 dessas escolas, receberam a liberação do mosquito com Wolbachia em um primeiro momento. As regiões das demais escolas receberam a liberação de mosquitos Aedes com Wolbachia após a validação dos testes.
Com a autorização dos responsáveis, foram colhidas pequenas amostras de sangue, para avaliar se as crianças tiveram o contato como vírus da dengue, Zika ou Chikungunya, e, ao longo de quatro anos, elas receberam acompanhamento. De acordo com o pesquisador Mauro Teixeira, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB, a opção pela escolha de crianças se justifica “por ser um público que fica mais restrito aos ambientes domicilia e escolar, o que facilita o controle da incidência nas regiões onde circulam”.
Anualmente, todas as crianças selecionadas para participar do projeto passarão por uma nova coleta de dados e testagem clínica para avaliação. O estudo ainda está em andamento na capital, e tem previsão de término para 2024.
O pesquisador ressalta que, se for bem-sucedido, “a pesquisa da UFMG fornecerá evidências científicas fortes de que o método Wolbachia reduz a dengue e outras infecções transmitidas por mosquitos, podendo validar o uso de uma intervenção segura, natural e autossustentável em regiões do mundo onde as doenças transmitidas por mosquitos são endêmicas”.
Na Indonésia, onde o projeto também foi aplicado, os resultados do ensaio clínico randomizado foram publicados no The New England Journal of Medicine e apontam uma redução de 77% dos casos de dengue nas áreas que receberam o mosquito Aedes aegypti. O estudo também revela redução de 86% das hospitalizações nas áreas tratadas com Wolbachia e há comprovação de que a eficácia do método é equivalente para todos os quatro sorotipos de dengue.
Confira mais informações do projeto aqui.
Evita dengue
Título: Ensaio randomizado por cluster para avaliação da eficácia de mosquitos Aedes aegypti infectados com Wolbachia na redução da incidência de infecção por arbovírus no Brasil – Evita Dengue.
Descrição: O objetivo da pesquisa é testar a eficácia do método Wolbachia – gênero de bactérias que infectam artrópodes, incluindo uma alta taxa de insetos – na redução da incidência de arboviroses, incluindo Dengue, Zika e Chikungunya. Além disso, o projeto também prevê a realização de ações educativas para a promoção do pensamento científico.
Coordenação: Luciano Andrade Moreira/ Mauro Martins Teixeira
Financiador: FIOCRUZ- FUND. INSTITUTO OSWALDO CRUZ
Data de início: 12/2020;
Término previsto: 12/2024.

