28 de outubro de 2026

Redes de colaboração internacional impulsionam pesquisas na Universidade Federal de Alfenas

Com gestão Fundep, projeto conecta universidade mineira e instituições internacionais para investigar inovações tecnológicas no campo e "fosso digital" na agricultura

No Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGeo) da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), o projeto Redes de colaboração internacionais, financiado pela Fapemig e gerido pela Fundep, expandiu as fronteiras geográficas do campus. O intercâmbio entre instituições mobilizou a troca de conhecimentos e técnicas entre pesquisadores mineiros e de outros cinco países para compreender e combater as desigualdades sociais e econômicas no campo.

Novas tecnologias no campo e o "fosso digital"

Uma das principais frentes de estudo do PPGeo aborda o uso de tecnologias digitais na agricultura e seus reflexos sobre as dinâmicas sociais. A pesquisa comparou de que forma pequenos produtores familiares e representantes do agronegócio experimentam e utilizam recursos tecnológicos no sul de Minas Gerais e nos Estados Unidos.

Embora o avanço tecnológico seja amplamente divulgado como um caminho inevitável de produtividade e sustentabilidade, a análise geográfica aponta para a existência de um "fosso digital" (digital divide), que é a profunda disparidade de acesso a essas novas ferramentas.

“Sem políticas de inclusão, a exclusão tecnológica dos pequenos produtores familiares pode inviabilizar sua permanência na terra, acelerando o êxodo rural e sobrecarregando os centros urbanos, sem infraestrutura para acolher esse contingente populacional.”, explica Estevan.

Pesquisas mapeiam produção de mandioca e café arábica em Minas Gerais e no exterior

Outras frentes de estudo desenvolvidas pela rede são: a produção de café arábica no sul de Minas Gerais, principal polo produtor desse café no mundo, e na Colômbia, segundo maior produtor mundial; e o mapeamento do uso da terra em Moçambique e Brasil, um projeto internacional voltado ao avanço científico e tecnológico da produção de mandioca nos dois países.

hands-that-are-picking-coffee-beans-from-coffee-tree.jpg Pesquisadores mapeiam produção de café arábica em Minas Gerais e na Colômbia, maiores produtores mundiais do grão

Para o professor Estevan Leopoldo Coca, o estabelecimento dessas pontes internacionais redefine a prática científica: "A internacionalização possibilitou conhecer novas técnicas, novas metodologias, novas abordagens teóricas e a ensinar aquilo que a gente tem trabalhado, inserindo uma universidade do interior de minas em redes nacionais e internacionais importantes, como a Collective of Agrarian Scholar-Activists from the South (CASAS) e a Redes de Estudos Agrários (REA).

Modernização da pesquisa e nota máxima na Capes

Com os recursos do projeto de cooperação, professores e pesquisadores da Unifal realizaram visitas técnicas e pós-doutorado em renomadas instituições estrangeiras, como a University of British Columbia, no Canadá; Friedrich-Schiller-Universität, na Alemanha; Clark University, nos Estados Unidos; e as Universidades Eduardo Mondlane e Rovuma, em Moçambique.

O projeto também possibilitou ao programa adquirir equipamentos importantes, como um computador de alto desempenho e um drone para mapeamento cartográfico e geográfico de precisão, viabilizando a modernização de laboratórios e métodos de pesquisa.

Esse esforço de inserção global resultou em um marco institucional: o PPGeo saltou da nota 3 para a nota 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), nota máxima para programas com mestrado. O resultado abre caminho para a submissão do primeiro curso de doutorado em Geografia da universidade.

“As Ciências Humanas se desenvolvem com base no debate das ideias, por isso internacionalizar é tão importante. Trocar ideias com quem vem de outros contextos nos leva a refletir sobre nossa própria realidade e contribuir com a criação de novas demandas, propostas e caminhos. A ciência não acontece mais de maneira isolada e as ciências humanas se tornam cada vez mais necessárias nesse conjunto de crises que vivenciamos.”, finalizou o professor Estevan.