
10 de setembro de 2026
BH sedia encontro internacional dedicado à música infantil com mais de 80 apresentações gratuitas pela cidade
Evento organizado pela Escola de Música da UFMG e Fundação Dirce Figueiredo tem apoio Fundep e reúne mais de 250 participantes de diferentes países.
Belo Horizonte sedia, entre os dias 11 e 16 de setembro, o 17º Encontro da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha (Mocilyc Brasil 2026). Realizado pela Escola de Música da UFMG, pela Fundação Dirce Figueiredo e pelo Movimento da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha (Mocilyc), o encontro reunirá cerca de 250 participantes do Brasil e do exterior em uma programação artística e formativa inteiramente gratuita em diferentes pontos da cidade.
Programação
Durante seis dias, a cidade receberá participantes de diversos países da América Latina e do Caribe, além de um grupo convidado de Portugal, dedicado à criação de música e teatro para bebês. Serão cerca de 80 apresentações artísticas, mais de 30 ações formativas, entre palestras, conferências, oficinas e encontros. Outros 14 grupos terão seus trabalhos apresentados ao público por meio de videoclipes selecionados pela curadoria do evento.
As atividades do Mocilyc Brasil 2026 acontecerão em diferentes espaços culturais e educacionais. A programação ocupará o CCBB Belo Horizonte, a Funarte MG, o Teatro Francisco Nunes e o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, além de diversos espaços da UFMG, como o Conservatório, a Escola de Música, o Centro Pedagógico, a Casa da Infância, a Emei Alaíde Lisboa, o CAD 1 e a Praça de Serviços do campus Pampulha.
O evento tem apoio institucional da Fundep, que gerencia recursos destinados a locomoção e alimentação de cerca de 250 artistas, educadores, pesquisadores e estudantes que integram o evento.
Na abertura oficial do encontro, cerca de 200 crianças subirão ao palco em uma apresentação que contará com a participação dos grupos de canto coral do Centro de Musicalização Integrado – CMI/UFMG, Coralitos e Música para Todos, da Universidade Federal de Minas Gerais, junto ao Grupo de Canto Coral e à Orquestra Amare, da Fundação Dirce Figueiredo de Matozinhos.
Outro destaque será a participação da Fundación Nueva Cultura, da Colômbia, que virá a Belo Horizonte com uma delegação de 32 integrantes, incluindo três grupos musicais e 22 crianças. A Fundação Dirce Figueiredo também apresentará a Marimbanda, grupo formado por crianças e jovens que desenvolvem um trabalho de percussão e marimba.
Todas as apresentações artísticas serão abertas ao público, com entrada gratuita, sujeita à lotação dos espaços. A distribuição de ingressos 30 começa minutos antes de cada apresentação.
Confira aqui a programação completa.
Música para as infâncias
Um dos princípios que atravessam o encontro é a compreensão de que a música para as infâncias não se limita a obras produzidas por adultos e destinadas ao público infantil. Ela também inclui processos de criação, experimentação e performance realizados pelas próprias crianças, reconhecendo-as como participantes ativas da experiência artística e cultural.
Com o tema Música, infância e diversidade, o evento promove o encontro entre artistas, educadores, pesquisadores, estudantes e pessoas interessadas na criação e nas práticas relacionadas à música para as infâncias. A proposta é colocar em diálogo diferentes experiências, culturas e territórios da América Latina e do Caribe, valorizando a produção artística feita para, com e pelas próprias crianças.
“A produção musical com e para crianças na América Latina e no Caribe é muito potente, mas ainda pouco reconhecida pelas políticas culturais e pelo mercado. Existe uma rede de artistas, educadores e pesquisadores que há décadas cria, pesquisa e ensina música pensando a infância não como um público menor, mas como um campo de criação, escuta e pensamento.
Esse movimento vem crescendo, sobretudo pela aproximação entre arte, educação, pesquisa e ação cultural, mas ainda enfrenta desafios de circulação, financiamento e visibilidade. O Mocilyc tem um papel importante justamente porque cria esse lugar de encontro: artistas de diferentes países compartilham repertórios, metodologias, pesquisas e modos de compreender a infância”, comenta Reginaldo Santos, um dos coordenadores do encontro ao lado de Angelita Broock e Juliana Daher.
Ao colocar a infância no centro de sua programação, o encontro chama atenção para um campo que ainda ocupa espaço reduzido nas políticas culturais e no mercado: o da produção artística voltada às crianças e da participação delas como criadoras e protagonistas da vida cultural.
O evento integra a trajetória do Movimento da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha – Mocilyc, criado a partir do primeiro encontro realizado, em 1994, na Casa de las Américas, em Havana, Cuba. Há mais de três décadas, o movimento constrói uma rede de artistas, educadores, pesquisadores e agentes culturais de diferentes países e promove encontros e ações de intercâmbio em torno da criação musical dedicada às infâncias. Os encontros internacionais acontecem a cada dois anos, em diferentes países da América Latina e do Caribe.
Em 2026, o Brasil volta a sediar o encontro, que tem caráter itinerante e já passou por diferentes países latino-americanos e caribenhos. Esta será a terceira edição realizada no país e a segunda em Belo Horizonte, reforçando a presença histórica da cidade e da UFMG na pesquisa, na criação e na formação musical.

