02 de maio de 2025

Reunião marca instalação de projetos beneficiados pelo Fundo Fundep

UFMG selecionou 34 propostas voltadas para os hospitais universitários e educação digital; aporte é de mais de R$ 2 milhões

Com o objetivo de promover a integração da pesquisa com atividades de ensino e de extensão na área da saúde e da educação digital, foram instalados, oficialmente na última quarta-feira (30), os 34 projetos vencedores do Fundo Fundep, que nesta edição privilegiou projetos a serem desenvolvidos nos hospitais universitários (Hospital das Clínicas e Hospital Risoleta Tolentino Neves) e de estruturação de salas de aula ou de laboratórios de ensino para realização de atividades na perspectiva da educação digital.

Em reunião realizada na Reitoria, com a presença da reitora, professora Sandra Regina Goulart Almeida, do vice-reitor, Alessandro Fernandes Moreira, do diretor da Fundep, professor Walmir Caminhas, e representantes das pró-reitorias acadêmicas da UFMG e das equipes de gestão de projetos da Fundep, os(as) coordenadores(as) receberam instruções para a execução dos projetos.

“Os editais elaborados nesta edição são de suma importância e é gratificante ver que uma gama bastante ampla de unidades foi contemplada. Além disso, o apoio a esses novos projetos pode ampliar a integração da pesquisa com o ensino e a extensão, enriquecendo a experiência acadêmica e criando oportunidades para que as iniciativas inovadoras se conectem com a realidade social”, ressaltou a reitora Sandra Almeida, parabenizando os(as) docentes pela conquista. Foram 25 projetos aprovados na Chamada 01, referente aos hospitais universitários, e nove aprovados na Chamada 02, destinada ao incremento da educação digital nas atividades de ensino da UFMG.

Priorização de projetos em hospitais considerou pesquisa sobre economia da saúde

Conforme definido em estatuto, o Fundo Fundep é formado por 30% do superávit contábil da Fundação de Apoio da UFMG, cabendo ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UFMG definir a sua aplicação. Desde a sua criação, em 1986, os recursos são prioritariamente aplicados em áreas menos priorizadas por órgãos financiadores de pesquisas.

Desta vez, foi a necessidade de atrair pesquisadores para os hospitais universitários motivou a criação da Chamada 01. A reitora Sandra Regina Goulart Almeida destacou que a demanda surgiu de uma análise detalhada conduzida por especialistas da área de economia da saúde. “O estudo, realizado por professores da Faculdade de Ciências Econômicas (Face), mapeou os trabalhos desenvolvidos no Hospital das Clínicas desde 2013, quando a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares assumiu a gestão da unidade”, explicou.

O professor Paulo Márcio Campos de Oliveira, do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina da UFMG, também teve seu primeiro projeto contemplado pelo Fundo que busca avaliar e otimizar a quantidade de radiação recebida por crianças durante exames de PET/CT, um tipo de exame de imagem muito usado em diagnóstico oncológico. A ideia central é melhorar os protocolos usados nesses exames, para garantir imagens de boa qualidade, com o menor nível possível de radiação – o que é especialmente importante em pacientes pediátricos, que são mais sensíveis aos efeitos da radiação a longo prazo.

“Para a nossa pesquisa e principalmente para o Hospital das Clínicas e para o Centro de Tecnologia em Medicina Molecular da Faculdade, o recurso vem em boa hora, pois é mais uma forma de fomento para a melhoria do atendimento e a prestação de serviço para a comunidade”, completa.

A Chamada 01 teve 25 projetos aprovados que receberão R$1,03 milhão, com o objetivo de promover a integração da pesquisa com atividades de ensino, de extensão ou com ações relacionadas à formação interprofissional em saúde, visando estimular a atuação dos docentes nos hospitais universitários e na preceptoria das residências em saúde. As propostas foram idealizadas por professores das faculdades de Medicina, de Farmácia e de Odontologia, das escolas de Enfermagem, Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional e do Instituto de Ciências Biológicas.

Atualizar métodos pedagógicos foi a motivação de chamada volta ao incremento da educação digital

A decisão de investir no fortalecimento da educação digital foi fundamentada em uma avaliação do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), que considerou essencial ampliar os recursos para novas formas de ensino e aprendizagem. O o objetivo do edital é estimular a experimentação de modelos inovadores de laboratórios e salas de aula, promovendo uma transição do ensino tradicional para processos mais dinâmicos e tecnológicos.

O vice-reitor, professor Alessandro Fernandes Moreira, destacou que muitas unidades, sobretudo na área da saúde, vêm incentivando a adoção das chamadas metodologias ativas de aprendizado. “É fundamental desenvolver e adotar práticas que dialoguem com os nossos jovens”, defende.

É o caso da professora Luciana de Oliveira Silva, da Faculdade de Letras, que teve seu primeiro projeto gerido pelo Fundep selecionado nesta edição. A proposta prevê a reestruturação da sala de Projetos Especiais do prédio de Letras. “O projeto Conecte Letras e feito por várias mãos e termos sidos contemplados pelos recursos do Fundo é uma honra. Essa organização da sala vai proporcionar um bom contexto de educação digital não só para as disciplinas que já acontecem em ambiente virtual, mas também para outras disciplinas que queiram utilizar o espaço”, explica.

Os projetos de incremento da educação digital estão vinculados às seguintes unidades acadêmicas: escolas de Arquitetura, Enfermagem, Engenharia e Veterinária, faculdades de Ciências Econômicas, Letras, Odontologia, Filosofia e Ciências Humanas e Instituto de Ciências Agrárias, no campus regional de Montes Claros. Os valores aportados somam 1,22 milhão.

Equipe Fundep apresenta critérios para utilização dos recursos

A reunião com os coordenadores selecionados também serviu para a apresentação das regras de utilização dos recursos. Sobre os itens financiáveis para hospitais, por exemplo, a coordenadora de projetos Ágatha Dornellas explicou que os recursos podem ser usados para compra de material permanente, material de consumo, serviços de terceiros de caráter eventual e softwares específicos para o desenvolvimento dos projetos. Ela ressaltou que softwares podem ser adquiridos caso não haja versão gratuita equivalente.

Em relação às chamadas voltadas para a educação digital, há outras possibilidades de financiamento, como equipamentos, custos de instalação e material de consumo. Também é possível custear a manutenção de equipamentos, serviços eventuais de terceiros, mobiliário específico e computadores, sendo que, nesta última rubrica, há um limite de até 40% do valor da proposta.

Sobre as despesas vedadas, Ágatha Dornellas esclareceu que há regras comuns às duas chamadas. Não é permitido o pagamento de salários ou complementos salariais para pessoal técnico-administrativo, nem despesas de rotina, como contas de água, luz e telefone. Também não podem ser utilizadas verbas para construção, reformas ou ampliação de espaços para a instalação dos equipamentos adquiridos.

Fundo tem aumento de recursos disponíveis em ano em que a Fundep comemora 50 anos

O histórico de aplicação de recursos do Fundo Fundep revela uma importante participação em anos de pouco investimento para a ciência e tecnologia. Entre 1987 e 2009, os valores foram regularmente repassados à UFMG. Inicialmente focado na pesquisa, o fundo passou a abranger iniciativas acadêmicas mais amplas, como a aquisição de acervos para a biblioteca e obras necessárias para a instituição.

A partir de 2010, mudanças na legislação e nos mecanismos de controle das fundações de apoio tornou difícil a manutenção do fundo, que foi descontinuado. A retomada veio em 2022, quando R$ 984 mil foram destinados ao apoio de projetos de professores recém-contratados. "Era um período de escassez de recursos, e esse apoio foi essencial para pesquisadores que acabavam de ingressar na universidade", relembrou a reitora Sandra Goulart Almeida.

De acordo com o diretor da Fundep, professor Walmir Caminhas, o Fundo é, além de um financiamento, um catalisador de transformação. “O Fundo Fundep segue diversificando seu impacto. Estamos celebrando não apenas os projetos aprovados, mas também o legado de uma iniciativa que há décadas fortalece a ciência, inovação e educação na UFMG”, completa.

Texto: Maria Carolina Martins, com Portal UFMG

Fotos: Marcelo Cardoso