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Universidades buscam estabelecer tempo de duração da imunidade de vacina contra o coronavírus

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Vaccine
Foto: HakanGERMAN/PixaBay

Estudo clínico com participação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) já permitiu estabelecer eficácia de imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford

 

Em oito meses de condução de um ensaio clínico visando avaliar a eficácia e a segurança da vacina britânica na prevenção da covid-19 – em parceria com a Universidade Oxford e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – a Universidade Federal de Santa Maria ajudou a estabelecer a eficácia do imunizante Oxford Astrazeneca, que está sendo produzido em solo nacional pela Fiocruz. Com 90% de efetividade após a segunda dose, o desafio, agora, é estabelecer por quanto tempo dura o efeito do imunizante.

“Essa é uma das primeiras vacinas cujo estudo publicado demonstrou eficácia de imunização em torno de 70% com apenas uma dose. Agora, após acompanhamento, os nossos dados permitem concluir, junto com a análise de outros centros, que a eficácia se aproxima a 90% com duas doses”, explica o professor Alexandre Vargas Schwarzbold, do Departamento de Clínica Médica, gestor do projeto na universidade, que envolve ainda profissionais da Unidade de Pesquisa Clínica do Hospital Universitário de Santa Maria.

O imunizante de Oxford tem como base tecnológica a utilização de um adenovírus (vírus da gripe) de chimpanzés, transformado geneticamente para receber o coronavírus. “O adenovírus passa a ser chamado de vetor, que é o responsável por transportar a proteína S, ligada ao coronavírus. É essa ação que vai induzir a produção de anticorpos.  Portanto, é o princípio ativo (adenovírus) junto com a plataforma que permite a indução de resposta de defesa das pessoas”, contextualiza.

 

O ESTUDO DA UFSM

No estudo a cargo da UFSM, 1 mil pessoas, cadastradas voluntariamente, são acompanhadas ao longo do tempo com visitas a cada dois ou três meses. A princípio, o acompanhamento já foi capaz de identificar que o imunizante é mais eficaz quando aplicado em populações mais jovens (abaixo de 60 anos). Em relação aos efeitos colaterais, são descritas reações chamadas vacinais, consideradas esperadas, como febre, dores de cabeça e no corpo, semelhantes a outras vacinas.

O estudo deve ser concluído em outubro deste ano e o acompanhamento dos pacientes prevê ainda trazer dados sobre a duração da imunidade da vacina. A pesquisa vai permitir a apresentação de informações importantes sobre o imunizante, enquanto ainda está em aplicação em todo mundo. De acordo com Schwarzbold, todas as vacinas devem ser avaliadas por cerca de um ano para avaliar a demanda de um reforço delas ou não.

“Os pacientes são avaliados sobre a produção de anticorpos neutralizantes e a imunidade celular dos pacientes são avaliados, itens que são identificados alguns meses após a aplicação da vacina. A análise é importante para avaliar quanto tempo dura a imunidade, o perfil de anticorpos e as células de defesa que essas pessoas produzem. Entre os procedimentos utilizados para chegar a esses dados estão a coleta de sangue dos pacientes e a análise das informações para ver se os participantes do estudo foram infectados ou não meses após a vacinação”, complementa.  

 

Equipe da Universidade Federal de Santa Maria. Crédito: UFSM
Protocolos 

O ensaio é patrocinado pela própria Astrazeneca, que tem o Brasil como o principal país para o recrutamento de voluntários do estudo. A região central do Rio Grande do Sul, área na qual a UFSM está localizada, representava à época altas taxas de infectividade e de suscetibilidade imunológica, fatores que contribuíram para a participação da universidade. Ademais, na região Sul, apenas a universidade e o Hospital das Clínicas de Porto Alegre são responsáveis pelo estudo clínico do imunizante inglês.  

O projeto analisa participantes que preencheram os critérios de inclusão no estudo e do teste vacinal e que tinham disponibilidade para acompanhamento durante um ano.  

“Todo protocolo de estudo clínico tem premissas para incluir ou não alguém nele. Nesse contexto, não foram incluídas gestantes, pessoas com histórico de alergia severa e pessoas com doenças crônicas não controladas, como a diabetes, por exemplo. Para a execução do estudo foram avaliadas questões físicas e demográficas”, explica Schwarzbold.  

 

Apoio à ciência  

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) é uma instituição apoiada pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) e o estudo clínico da vacina teve a gestão de recursos realizada pela fundação. “A Fundep é importante para que possamos com agilidade, mas impessoalidade e qualidade, dar a resposta aos profissionais e a sociedade dos recursos empregados no projeto”, conta.  

Além disso, na semana em que se comemora o Dia Nacional da Ciência, da Pesquisadora e do Pesquisador, o professor Alexandre Schwarzbold expressa a importância do trabalho que desenvolve. “É a ciência que está dando respostas mais eficientes e geradoras das saídas que precisamos, para nesse momento mitigar e em breve controlar a pandemia. Portanto, a ciência, por meio do experimento e da testagem das hipóteses que busca, permite as pessoas se protegerem e obterem informações mais seguras sobre as condutas em defesa da vida”, conclui.

 

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