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Tecnologia da UFMG que usa luz de LED para calcular idade gestacional de bebês tem acurácia superior a 90%

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Tecnologia desenvolvida permite tornar mais assertivos cuidados com bebês prematuros. Créditos: Zilma Reis (UFMG)/ Divulgação.

O Preemie-Test, dispositivo ótico com processamento digital, apresenta elevada acurácia para diferenciar prematuros de bebês a termo. Projeto tem apoio Fundep.

 

Bebês que nascem antes de completar 37 semanas de gestação são considerados prematuros e precisam de mais cuidados para enfrentar o mundo fora do útero. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2020, mostram que a prematuridade é a principal causa da mortalidade infantil em todo o mundo. Considerando que o Brasil é o 10º país no ranking mundial de partos prematuros, ter em mãos a cronologia gestacional correta é fundamental para ajudar no cuidado necessário para sobrevivência dos recém-nascidos.

Para enfrentar este problema, uma tecnologia inédita inserida em um equipamento denominado Preemie-Test, desenvolvida pelo grupo de pesquisa Skinage, da Faculdade de Medicina da UFMG, coordenado pela professora Zilma Reis, teve validação de acurácia concluída e está pronto para ser produzido e disponibilizado para auxiliar na redução do índice de mortalidade neonatal. Os resultados do grupo foram publicados no Journal of Medical Internet Research.

 

O DISPOSITIVO

Trata-se de um dispositivo ótico com processamento digital, que calcula automaticamente a idade gestacional dos recém-nascidos, a partir do uso de luz de LED. O resultado de concordância do valor da idade gestacional comparado com a melhor idade gestacional de referência foi de 0,969 (coeficiente de correlação intraclasse). Isso significa que a cada 100 prematuros, o Preemie-Test classificou corretamente a idade de 91 deles.

A solução usa luz para estimar o tempo de gestação com base na maturidade da pele no recém-nascido. O dispositivo é de fácil transporte, não invasivo e com potencial de mercado.

O Preemie-Test utiliza luz led de um sensor em contato com a pele do pé do bebê recém-nascido. A partir dessa luz, alguns constituintes da pele refletem alguns espectros específicos, captados por outro sensor no centro do aparelho. As informações chegam a uma unidade de controle e são processadas, permitindo obter a idade gestacional e outras informações clínicas.

O ensaio clínico foi patrocinado pelo Ministério da Saúde, com recursos do Fundo Nacional de Saúde geridos pela Fundep. O teste é indicado, principalmente, para bebês que nascem sem ter a idade gestacional conhecida ou quando ela não é confiável.

“Com esses resultados, acreditamos que, em cenários de parto com recursos limitados e informação de pré-natal precária, o teste poderá ser útil para a definição de cuidados imediatos adequados, como equipamentos para ajudar na respiração ou controle da temperatura, ou a transferência do recém-nascido para centros de referência”, avalia a professora Zilma Reis.

 

APRIMORAMENTO

Após seis anos em desenvolvimento, o modelo tecnológico foi aprimorado com técnicas de inteligência artificial, utilizadas por pesquisadores das áreas da saúde, física e computação. A segunda etapa de validação do dispositivo foi realizada de junho de 2020 a abril de 2021 com 305 bebês nascidos com peso inferior a 2,5 quilos, em Belo Horizonte (Hospital das Clínicas da UFMG e Maternidade Sofia Feldman), e no Hospital Central de Maputo, em Moçambique. Essa etapa foi financiada pela Fiocruz e pelo Grand Challenges Canadá. Os dados encontram-se em análise, mas os resultados são muito promissores, afirma a professora.

“Em cenários de nascimento em que não se sabe a idade gestacional ou ela é imprecisa, há riscos de os bebês não serem adequadamente reconhecidos, colocando em perigo a sua sobrevivência. No maior hospital de Moçambique, por exemplo, apenas 23% dos bebês foram examinados por meio de ultrassom obstétrico”, informa Zilma Reis, que é vinculada ao Departamento de Ginecologia e Obstetrícia.

Na maioria de casos como o de Moçambique, a idade gestacional foi calculada com as informações sobre o calendário menstrual. No entanto, a margem de erro, nesses casos, é muito grande, seja em razão de gravidez, do uso de contraceptivos, da amamentação ou da irregularidade dos ciclos menstruais de muitas mulheres. “Assim, confirmamos que os problemas na identificação dos prematuros ainda ocorrem em muitos locais por causa do acesso limitado às tecnologias essenciais em saúde, como as do cuidado pré-natal precoce e a ultrassonografia obstétrica”, observa a professora.

A empresa BirthTec, licenciada pela UFMG, com sede no Brasil e em Portugal, foi criada para produzir e comercializar o dispositivo em todo o mundo. A distribuição será feita pela Maternal Health and Neonatal Health Solutions (Maternova).

 

Com apoio do Cedecom UFMG 

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