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Fundep apoia revitalização da Casa da Glória, com recursos do governo dos EUA 

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Casa da Glória
Casa da Glória: recuperação deve ser concluída até o fim de 2023. Créditos: Foca Lisboa (UFMG)/ Divulgação.

Projeto da Universidade Federal de Minas Gerais prevê a substituição de estruturas de madeira da Casa da Glória, da rede elétrica e instalação de sistema contra incêndio.

 

Edifício do século 18, localizado em Diamantina (MG), a Casa da Glória receberá recursos do Departamento de Estado dos Estados Unidos para obras de recuperação e revitalização. O patrimônio é gerido pelo Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem apoio Fundep há mais de 15 anos.

O governo americano fará o aporte de U$ 235.690,00 – proveniente do Fundo de Embaixadores para Preservação do Patrimônio Cultural – e a contrapartida da UFMG será de U$ 189.441,00, na forma, sobretudo, de alocação de mão de obra. O projeto apresentado pela Universidade e selecionado pelo Departamento de Estado prevê substituição de estruturas de madeira que suportam a construção, parcialmente destruídas por infestação de cupins, além da troca de toda a rede elétrica e instalação de sistema de prevenção e combate a incêndios.

Neste ano, o projeto de revitalização da Casa da Glória é o único no Brasil financiado pela chamada lançada pelo Departamento de Estado dos Estado Unidos. Para Sandra Regina Goulart, reitora da UFMG, a acolhida da proposta é “uma prova do reconhecimento do governo norte-americano ao valor cultural e acadêmico da Casa da Glória e ao papel que a UFMG, por meio do Instituto de Geociências, desempenha na consolidação desse importante patrimônio”.

 

O Instituto de Geociência e a Casa

Sob gestão do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, a Casa da Glória dá suporte às atividades de campo de ensino, pesquisa e extensão do Instituto e de outras unidades da UFMG, além de receber pesquisadores de outras instituições do país, informa a professora Maria Giovana Parisi, que era vice-diretora na época da elaboração do projeto e coordenou esse trabalho. Ações de resgate da memória do patrimônio histórico e arquitetônico são desenvolvidas em parcerias com órgãos públicos e empresas. A Casa tem 11 alojamentos, com capacidade para receber 110 estudantes e pesquisadores.

A previsão é que as obras, que contam com aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sejam concluídas até o final de 2023. O trabalho começará pela descupinização e seguirá com a visita de especialistas da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) à casa para avaliar a adequação de métodos desenvolvidos nessas instituições para o combate à infestação.

 

A Casa da Glória

O edifício da Casa da Glória é formado por um conjunto de dois casarões históricos, situados em lados opostos da rua da Glória e interligados por um passadiço suspenso, ícone da cidade de Diamantina, construído no final do século 19, com a função de unir as duas casas que funcionavam como educandário e orfanato. A obra foi símbolo da campanha pela declaração de Diamantina como Patrimônio Cultural da Humanidade, da Unesco.

As construções são de épocas e estilos diferentes. O edifício principal foi construído entre 1775 e 1800. No início do século 19, a Casa passou a ser administrada pelo estado de Minas Gerais. Em 1864, passou a pertencer à Igreja e foi transformada em residência oficial dos bispos da cidade. Na década de 1860, o edifício sofreu nova modificação para abrigar religiosas da ordem de São Vicente de Paula, que instalaram um educandário feminino. O edifício vizinho havia sido construído também no século 19 e acabou igualmente adquirido pela irmandade para se tornar um orfanato.

 

Vigas da biblioteca da Casa da Glória atacadas por cupim: substituição será feita com maçaranduba. Créditos: Acervo Casa da Glória/ Divulgação.

 

Em 1978, o conjunto dos dois edifícios da Casa da Glória foi adquirido pelo Ministério da Educação e Cultura para sediar o Centro de Geologia Eschwege (CGE), destinado a receber pesquisadores e estudantes de geologia de todo o Brasil. Nos anos 2000, o uso do espaço se diversificou e foram incorporadas ações nas áreas de turismo, geografia, cartografia histórica e cultura. O centro foi então rebatizado como Instituto Casa da Glória.

As edificações que compõem a Casa da Glória foram feitas em paredes de pau-a-pique. O suporte fica a cargo de um reticulado de madeira, mesmo material do forro e dos assoalhos. Muitas das peças do suporte serão trocadas integral ou parcialmente.

 

Preservação do patrimônio

O Instituto é hoje um importante espaço para difusão da história de Minas Gerais e interpretação da paisagem urbana e cultural da cidade de Diamantina. A Casa da Glória recebe em torno de 20 mil pessoas a cada ano. Os espaços foram reorganizados (ambientes expográficos foram readequados, sem prejuízo das atividades de apoio à pesquisa e trabalhos de campo), a visitação turística é monitorada, e vários eventos são sediados ali.

O Fundo dos Embaixadores é administrado pelo Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos EUA. Os recursos são destinados a projetos de preservação do patrimônio cultural, incluindo edifícios históricos, sítios arqueológicos, objetos etnográficos, pinturas, manuscritos, línguas indígenas e outras formas de expressão cultural tradicional.

 

Com Centro de Comunicação da UFMG

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