05 de março de 2026

O centenário da UFMG: obra em quatro volumes resgata memória e legado da instituição

Os dois primeiros foram lançados na última segunda (2); os dois últimos sairão do prelo nos próximos meses, como preparação para as comemorações do primeiro século de fundação da instituição

Foram lançados, na última segunda-feira (2), os volumes 1 e 2 (de um total de 4) da coleção O centenário da UFMG: 1927-2027, escrita pelo professor da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) João Antonio de Paula e publicada pela Editora UFMG. Os volumes “reúnem registros históricos que ajudam a compreender a complexidade e a grandeza da UFMG, além de evidenciar a força humana e coletiva que sustenta a instituição desde a sua fundação”, afirma a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, na apresentação da coleção.

“O que João Antonio de Paula oferece ao leitor é a apurada análise do que cercou a fundação da ‘Universidade de Minas Gerais’, destacando-se três aspectos: 1) são instituições republicanas; 2) estabelecidas no contexto da crise do capitalismo liberal; 3) e na efervescência do modernismo cultural”, completa Jacyntho Lins Brandão, professor emérito da Faculdade de Letras, no prefácio do primeiro volume.

Sandra Goulart ressalta ainda o pioneirismo da Universidade e sua trajetória marcada pelo compromisso com o desenvolvimento social e econômico do Brasil, destacados por João Antonio em seu texto. “Contar a história da UFMG é contar a história de Minas e do Brasil. Afinal, a Universidade nasceu do sonho inconfidente de tornar Minas Gerais um território de liberdade, democracia e justiça”, anota a dirigente. “Uma universidade não apenas acompanha a história do Brasil, mas ajuda a construí-la, afirmando, em cada gesto, seu projeto de futuro, baseado em sua vocação pública, e sua defesa inconteste da democracia e da soberania nacional”, registra.

Os quatro volumes

O primeiro volume aborda as origens da UFMG, da fundação da Faculdade de Direito, sua “história precedente”, à efetiva criação da “Universidade de Minas Gerais”, ocorrências compreendidas no período 1892–1927. São oito capítulos nesse primeiro caderno.

O segundo volume vai da criação da UMG à sua federalização, período (1927–1949) que se poderia entender, nas palavras de Jacyntho Lins Brandão, como o da “construção da própria identidade”. “A crise mundial, iniciada em 1929, ao provocar o colapso das atividades exportadoras e dificuldades de importar, estimulou a elite intelectual, política e empresarial do estado, resgatando os ideais da inconfidência, a buscar um projeto de desenvolvimento”, escreve Clélio Campolina Diniz, reitor da gestão 2010-2014, na apresentação do volume.

A previsão é que os volumes 3 e 4, que completam a coleção, sejam lançados no decorrer de 2027, preparando terreno para as comemorações do dia 7 de setembro do próximo ano, quando a Universidade completará seu primeiro centenário. O terceiro volume cobrirá da federalização à reforma universitária (1949-1968), período marcado pela consolidação da Universidade como instituição federal. O último volume abrangerá da reforma universitária aos dias atuais (1968–2027), período em que a UFMG se redesenhou, tornando-se o que é hoje.

Cada volume foi dedicado a três nomes cujas biografias pessoais ajudam a contar a centenária história da Universidade. Os escolhidos são personagens que, “em sua diversidade de áreas e épocas, refletem, vagamente, a rica e exitosa matéria da UFMG”, escreve João Antonio de Paula. Como critério, o autor selecionou apenas nomes “que já não estão mais entre nós”, além de se ter focado em pessoas que teve “o privilégio de conhecer e mesmo de conviver, em alguns casos, com viva amizade”. O objetivo, com esses recortes, era enfrentar o desafio de escolher doze pessoas a quem homenagear em uma instituição na qual avultam centenas de nomes de relevância nacional e mesmo internacional.

O autor

João Antonio de Paula é graduado em Ciências Econômicas pela UFMG, mestre em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP). Professor titular do Departamento de Ciências Econômicas da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) e do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), foi também pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento e pró-reitor de Extensão.

Conhecido por seu trânsito entre campos distintos do saber, como a literatura e as ciências sociais, João Antonio é autor de dezenas de obras que abrangem amplo espectro temático. Seus livros transitam das ciências econômicas – tema de sua docência e de sua pesquisa mais formal – à história política, social, econômica, sanitária, biográfica e cultural de Belo Horizonte, de Minas Gerais e do país. Nesse sentido, uma das principais marcas de sua produção é a mirada transdisciplinar que lança para seus objetos de interesse.

Alguns livros que João Antonio publicou nas últimas décadas exemplificam essa amplitude de escopo de seus interesses intelectuais. Nas últimas décadas, ele lançou, entre outros: Livraria Amadeu (Conceito Editorial, 2006), Raízes da modernidade em Minas Gerais (Editora Autêntica, 2007), A transdisciplinaridade e os desafios contemporâneos (Editora UFMG, 2008), Crítica e emancipação humana: ensaios marxistas (Editora Autêntica, 2017), A presença do espírito de Minas: a UFMG e o desenvolvimento de Minas Gerais (Editora UFMG, 2019), Francisco Iglésias: o caminho do historiador (Conceito Editorial, 2020), O capitalismo no Brasil (Kotter Editorial, 2021), Capítulos de história do pensamento econômico do Brasil (Hucitec Editora, 2021) e História, epidemias e capitalismo (Editora UFMG, 2022).

Com informações da UFMG.