
04 de março de 2026
Reencontros e homenagens marcam o encerramento das comemorações do jubileu de ouro da Fundep na UFMG
Evento na Reitoria celebrou os 50 anos da Fundação de Apoio da UFMG, que se tornou referência no Brasil. Solenidade homenageou os 12 gestores que teceram a identidade da instituição
Em uma noite de reencontros e memórias vivenciadas ao longo de cinco décadas, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) celebrou, em sessão solene realizada nessa terça-feira (3), o jubileu de ouro da Fundep, sua fundação de apoio. O evento, realizado no auditório da Reitoria, no Campus Pampulha, reuniu diversos “autores” dessa história: dirigentes e representantes, diretores de unidades acadêmicas, professores e pesquisadores da Universidade, colaboradores da Fundep – desta e de gestões anteriores –, profissionais e dirigentes de fundações congêneres, entre outras autoridades e parceiros institucionais.
A mesa foi presidida pela reitora da UFMG, professora Sandra Goulart Almeida, e composta pelo vice-reitor, professor Alessandro Moreira; pelo presidente da Fundep, professor Jaime Arturo Ramírez; e pelo presidente do Conselho Curador da Fundação, professor Hugo Eduardo da Gama Cerqueira.
Fundep e UFMG: uma construção histórica
Ao abrir a solenidade, a reitora destacou o significado institucional da celebração e a relevância da Fundep para a Universidade, ressaltando o papel essencial da Fundação nas atividades de ensino, pesquisa, extensão, cultura e desenvolvimento institucional da UFMG.
Ela exemplificou a atuação abrangente da Fundep em iniciativas como o Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), o Centro de Treinamento Esportivo (CTE), a consolidação da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), o Espaço do Conhecimento UFMG, o projeto Campus 2000, a coordenação do programa Mover, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o apoio aos projetos do Hospital das Clínicas e a gestão do Hospital Risoleta Tolentino Neves e da UPA Centro-Sul.
O professor Hugo Cerqueira, presidente do Conselho Curador da Fundep, destacou a relação histórica entre Fundep e UFMG. “Celebrar meio século de existência de uma instituição é reconhecer que ela atravessou o bom tempo e as tempestades, enfrentou as dificuldades, adaptou-se às mudanças e, assim, forjou sua identidade”, afirmou. Ele lembrou que a criação da Fundação partiu de uma necessidade concreta da Universidade de desenvolver pesquisas complexas com recursos volumosos, de forma ágil e orientada aos interesses públicos. Isso exigiu uma solução igualmente complexa até então inexistente: a criação de uma entidade de direito privado com finalidade pública e flexibilidade administrativa, capaz de potencializar o alcance da UFMG, contribuir para o desenvolvimento científico brasileiro e servir às necessidades da sociedade.
Para o presidente do Conselho Curador da Fundep, um arranjo inovador como esse, “hoje consagrado e bem-sucedido”, foi resultado da perseverança de gerações de dirigentes e colaboradores em um contexto que incluiu o regime autoritário vigente à época da criação da Fundação e períodos de questionamentos sobre sua atuação na gestão de recursos públicos. “Os próximos anos exigirão da Fundep a mesma disposição para aprender, adaptar-se e inovar. Sua construção não está concluída – é processo permanente. A sociedade se transforma, a Universidade se transforma, e a Fundep precisará continuar fiel à sua missão e, ao mesmo tempo, aberta ao novo”, concluiu o professor Hugo.
Compromissos renovados
Em seu discurso, o presidente da Fundep destacou que a construção institucional é feita de “continuidades, escolhas coletivas e compromissos que atravessam gerações”. Segundo ele, instituições públicas se sustentam pela capacidade de responder, de modo consistente e duradouro, às demandas da sociedade.
A menção à cada frente de atuação que foi se consolidando com o tempo – Projetos, Programas e Concursos – bem como a Fundepar, empresa de investimentos da Fundep, entre outras iniciativas, ilustraram a robustez e coesão que foi alcançada pela Fundep, ao longo da sua história, ao encontrar diferentes meios para servir à UFMG e à sociedade.
“Ao olhar para o passado, reafirmamos compromissos que permanecem atuais: com a autonomia universitária, a gestão responsável, a excelência acadêmica e a relevância social da Universidade. Ao projetar o futuro, reconhecemos que novos desafios se apresentam, exigindo capacidade de adaptação, inovação institucional e, sobretudo, fidelidade aos princípios que orientam a universidade pública”, enfatizou Ramírez. O professor reconheceu a contribuição dos colaboradores para a consolidação da Fundação como referência nacional e agradeceu nominalmente os ex-dirigentes.
Homenagem aos dirigentes
A solenidade contou com um momento de reverência aos 12 dirigentes da Fundação de Apoio da UFMG ao longo desses 50 anos. Receberam placas de homenagem, entregues pela reitora, professora Sandra Goulart, e pelo presidente da Fundep, professor Jaime Ramírez: professor Alfredo Gontijo de Oliveira (2014-2021), professor Marco Aurélio Crocco Afonso (2010-2014), professor Márcio Ziviani (2006-2010), professor José Nagib Cotrim Árabe (2002-2006), Tarcísio Campos Ribeiro Júnior, representando seu pai, professor Tarcísio Campos Ribeiro (1994-1998), e professor Ivan Moura Campos (1987-1990).
As homenagens póstumas foram recebidas por familiares dos ex-dirigentes: professora Riva Satowschi Schwartzman, esposa do professor Jacques Schwartzman (1998–2002); professora Beatriz Ramos de Vasconcelos Coelho, esposa do professor Marcello de Vasconcelos Coelho (1983–1987); José Rubens Gonçalves de Souza, esposo da professora Odette Vieira Gonçalves de Souza (1990–1994); e doutora Cristiana Alves de Brito, filha do professor Octávio Elísio Alves de Brito. Também foi lembrada a primeira secretária-executiva da Fundep, Gilca Alves Wainstein (1975–1979).
Um dos momentos de maior emoção foi a exibição de um vídeo com trechos de entrevistas dos dirigentes, reunindo relatos sobre desafios e marcas de cada gestão. A íntegra está disponível no site comemorativo fundep50.com.br, dedicado à história da instituição.
Cápsula do tempo
Esta celebração do primeiro meio século da Fundação foi marcada também pelo fechamento de uma urna histórica – uma cápsula do tempo para abertura em 2050, quando a Fundep completará 75 anos. A iniciativa remete à urna criada em 2005, nas comemorações dos 30 anos, reaberta em 2025.
Entre os itens guardados estão um frasco da Spin-TEC – primeira vacina 100% brasileira contra a covid-19 produzida na UFMG –, uniformes, materiais de trabalho, documentos institucionais e depoimentos de colaboradores. O fechamento da urna de aço foi realizado pelos professores Hugo Cerqueira e Jaime Ramírez.
Nossa Fundep: pertencimento e legado
No encerramento do evento solene, a reitora, professora Sandra Goulart Almeida parafraseou Gonzaguinha para agradecer a dedicação as muitas pessoas que fizeram da Fundep uma instituição “respeitada, alinhada a seu tempo e a serviço da produção de conhecimento, da inovação, do desenvolvimento social econômico do país”:
"E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas”
Ao mencionar “nossa Fundep”, a reitora fez referência a um dos objetivos alcançados pela gestão do presidente Jaime Ramírez, que foi o resgate da Fundep como uma instituição da UFMG. “Conosco ficará não apenas a história dessa fundação robusta e inovadora, mas também sua trajetória de sucesso e comprometimento e a intrínseca conexão com esta Casa”, concluiu a profa. Sandra Goulart.
Confira depoimentos de alguns homenageados:
“Eu, pessoalmente, gosto muito das datas de passagem e acho que 50 anos mostram a luta e a resiliência que nós sempre tivemos na Fundep, não apenas na minha gestão, mas nas gestões anteriores e posteriores. Sempre são professores abnegados, porque, ao dirigir a Fundep, você praticamente abdica da sua vida acadêmica ou, pelo menos, diminui muito a sua atividade. Essa abnegação de todos que dirigiram a Fundep é o que realmente importa.” Prof. Márcio Ziviani (2006–2010)
“Na minha época, mesmo sendo muito menor do que hoje, a Fundep oferecia desafios de todo o espectro. Isso foi fundamental para que eu aprendesse coisas que me permitiram, depois, assumir a diretoria do CNPq e a Secretaria de Política de Informática no Ministério da Ciência e Tecnologia. Foram atividades para as quais a minha experiência na Fundep foi essencial.” Prof. Ivan Moura Campos (1987–1990)
“Quando eu saí da Fundep, já estava na beira da aposentadoria compulsória. Então, a Fundep significou, para mim, nesses sete anos, o ápice dos meus 50 anos na Universidade. Ela me transformou: quem chegou lá e quem saiu foram duas pessoas completamente diferentes.” Prof. Alfredo Gontijo de Oliveira (2014–2021)
“A UFMG era a vida do meu pai. Depois que ele passou pela diretoria da Faculdade de Farmácia e pela Pró-Reitoria de Planejamento, eu acho que coroou a história dele assumir a Fundep que, na minha opinião, é uma das principais instituições da UFMG por viabilizar o trabalho de pesquisa e extensão. Eu participei de alguns Festivais de Inverno como produtor cultural e sei exatamente o quanto a Fundep é fundamental para a vida do pesquisador e de quem faz extensão dentro da Universidade.” Tarcísio de Campos Ribeiro Júnior, filho do prof. Tarcísio de Campos Ribeiro (1994–1998)
“Eu me tornei professor titular, que é o cargo máximo da Universidade, quatro meses depois que entrei na direção da Fundep. Então eu já tinha atingido o topo na carreira docente. Com a Fundep, comecei uma trajetória de gestor fora do CNPJ da Universidade. A Fundep me deu uma bagagem muito grande, que depois levei para o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e, agora, para o Parque Tecnológico.” Prof. Marco Aurélio Crocco Afonso (2010–2014)
“Eu adoraria que ele estivesse aqui para receber a homenagem pessoalmente – minhas filhas e meus genros também. Mas aquece o coração saber do lugar que ele ocupou. Um ex-colaborador da Fundep que trabalhou com o Jacques veio me lembrar que ele lutou pela manutenção do prédio do Conservatório na Avenida Afonso Pena. Isso eu me lembro muito bem. Das tarefas cotidianas dele, eu não posso falar. Posso falar do empenho, do entusiasmo e da paixão. A paixão pela UFMG em todos os cargos que ele ocupou. Na Fundep, lembro muito bem de como ele chegava feliz por estar trabalhando lá.” Profa. Riva Satowschi Schwartzman, esposa do prof. Jacques Schwartzman (1998–2002)
“Eu me lembro da comemoração dos 30 anos da Fundep – eu era presidente na época. Esses momentos de celebração são muito importantes para que a gente resgate a memória e perceba a importância que a instituição tem no desenvolvimento da UFMG.” Prof. José Nagib Cotrim Árabe (2002–2006)
“Ele já tinha sido reitor e diretor do ICB, e a direção da Fundep, para ele, foi algo muito importante, que lhe trouxe grande satisfação. Fiquei muito feliz por ele ser lembrado nessa homenagem. O Marcello realmente merecia, porque trabalhou muito pela Fundep.” Profa. Beatriz Ramos de Vasconcelos Coelho, esposa do prof. Marcello de Vasconcelos Coelho (1983–1987)










