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Laboratórios da UFMG integram esforço nacional de monitoramento da variante Ômicron

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Pacientes com covid-19 vindos da África, onde foi identificada, estão sob avaliação.

Desde a semana passada, pesquisadores de laboratórios da UFMG e de outras unidades de pesquisa do país têm-se reunido com o intuito de estabelecer as condições técnicas para se fazer o reconhecimento da Ômicron – a mais nova variante do Sars-coV-2, detectada pela primeira vez na África do Sul – em uma eventual disseminação entre a população brasileira. “Já temos a capacidade de fazer esse reconhecimento, caso a variante surja no país”, afirma o professor Flávio Guimarães da Fonseca, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB).

Essa necessidade já está sendo colocada à prova: hoje, já há mais de um paciente internado com covid-19 no Brasil após ter passado por regiões africanas. “Um desses pacientes está em Belo Horizonte. Seu material genético foi enviado para a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e para o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) da Faculdade de Medicina da UFMG”, informa Flávio da Fonseca. Segundo ele, as informações relativas à sua amostra ainda são inconclusivas. “Análises de genotipagem continuam sendo feitas”, explica.

Esforço conjunto

O monitoramento de novas variantes no país ocorre sobretudo no âmbito das redes de laboratórios de campanha e corona-ômica – que integram a Rede Vírus, iniciativa de agregação de laboratórios empreendida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Duas unidades da UFMG integram essa força-tarefa: o Laboratório de Biologia Integrativa, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG,  coordenado pelos professores Renato Santana e Renan Pedra, e o CTVacinas, do qual Flávio da Fonseca é um dos coordenadores. O Nupad também colabora nesse esforço conjunto.

“Todos esses laboratórios também fazem parte de um grande esforço estadual para a identificação e genotipagem de novas variantes no estado de Minas Gerais”, explica o pesquisador. Segundo ele, essa iniciativa se dá em uma colaboração “muito próxima” dos laboratórios da Universidade com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) e com a Fundação Ezequiel Dias. “A Funed é hoje a nossa maior fornecedora das amostras”, ressalta Fonseca.

O pesquisador do CTVacinas conta como vem sendo feito o processo de genotipagem no estado. “Temos dividido o trabalho entre os laboratórios, que usam diferentes técnicas. Usamos três estratégias diferentes para fazer a detecção das variantes, que, juntas, conseguem gerar um percentual de identificação muito preciso e, ao mesmo tempo, rápido”, diz. Com a metodologia, o grupo conseguiu detectar rapidamente a entrada da variante Gama em Minas Gerais, no início do ano, e da variante Delta no estado e no Brasil, a partir de meados de 2021.

Flávio Fonseca: força-tarefa de laboratórios contra a covid-19
Mais vacina, menos variantes

Segundo Flávio Guimarães da Fonseca, no momento ainda é impossível afirmar se a Ômicron é mais ou menos letal que as variantes já em circulação no país e no mundo: a única coisa que se sabe, com certeza, é que o seu potencial de disseminação é muito grande, em razão da quantidade enorme de mutações que carrega em seu genoma. “Nesse sentido, havendo a chegada dessa variante ao Brasil, a manutenção das formas de combate não farmacológicas – distanciamento entre as pessoas e uso de máscara – serão essenciais para que possamos mantê-la sob controle. Isso somado ao necessário avanço da vacinação”, avalia.

O pesquisador, que é presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, também faz um alerta sobre uma fake news antivax muito em voga no país: a de que o avanço da vacinação seria responsável pelo surgimento de variantes, como se houvesse uma espécie de “reação” do vírus às vacinas, gerando as mutações. “Na verdade, é exatamente o contrário: quanto mais cobertura vacinal há em um local, menos chance há de que novas variantes surjam ali”, ele explica. “Basta olhar o retrospecto da doença para vermos que as variantes mais graves surgiram em momentos e em circunstâncias em que não havia vacinação em ampla cobertura”, ilustra.

“A Gama – uma variante terrível, responsável por 400 mil mortes no país – surgiu no Brasil em um momento em que a campanha vacinal brasileira engatinhava, com um percentual de vacinação ainda muito baixo. A Delta, por sua vez, surgiu na Índia quando a vacinação era também irrisória por lá. Agora, a Ômicron aparece na África, onde o número de vacinas aplicadas ainda está abaixo dos 20%. O que ocorre, portanto, é que o vírus se replica muito mais em populações não protegidas pela vacina”, ele explica.

“Em resumo, as mutações são resultantes da multiplicação dos vírus: quanto mais o vírus se multiplica, mais variantes aparecem. Portanto, quanto maior a cobertura vacinal em um local, menor a chance de surgir ali novas variantes”, reitera Flávio Guimarães da Fonseca.

 

Com Centro de Comunicação (Cedecom) da UFMG.

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