Fundep

Futuro da mobilidade elétrica no Brasil é tema de debate

Postado em Ciência, Tecnologia e Inovação
Especialistas da academia e indústria debateram a eletrificação do setor automotivo

Locomoção via veículos elétricos que impactam menos o meio ambiente é a tendência no setor automobilístico. Confira os debates sobre o futuro da mobilidade elétrica no Brasil promovido pela Fundep.

 

A mobilidade elétrica está relacionada a locomoção via veículos elétricos, seja por carros, ônibus e até mesmo bicicletas. Segundo dados do Instituto Nacional de Eficiência Energética, os transportes elétricos emitem menos gases de efeito estufa e apresentam maior eficiência energética do que seus equivalentes movidos a combustíveis fósseis. 

A eletrificação no setor automobilístico também tem sido uma tendência nos últimos anos. Espera-se a diminuição da produção de carros à combustão e mudanças nos métodos de produção da indústria de automóveis, incluindo a reciclagem de baterias, até o início do ano 2030 em diversos países. 

Motivada pelo cenário de oportunidades do setor, a Fundep, com o apoio doinovabra habitat, hub de co-inovação do Bradesco, promoveu o evento “Mobilidade Elétrica e Sociedade: passos para antecipação de futuros”, que reuniu especialistas do setor automobilístico, da engenharia elétrica e da inovação para compartilhar suas experiências com a mobilidade elétrica as perspectivas de futuro da eletrificação de veículos no Brasil. 

Participaram do debate: Eduardo Javier Muñoz, CEO da Bravo Motor Company; Erwin Franieck, mentor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da SAE Brasil; Gábor Deák, diretor de Tecnologia do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças); e Braz Cardoso Filho, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMG e parceiro da Fundep no projeto Rota 2030. O painel também contou com tradução simultânea de libras (Hub Inclusivo) e a moderação da executiva de Negócios e Parcerias da FundepJanayna Bhering. 

Confira alguns destaques da conversa, que pode ser assistida na íntegra no player abaixo:

Quais mudanças culturais e estruturais são necessárias para a implementação da mobilidade elétrica? 

“É necessário um círculo virtuoso para pensar a transformação da mobilidade elétrica. Não é apenas como vamos abastecer ou como vamos treinar a população, manter a frota elétrica e lidar com a eventual mão de obra excedente. É preciso uma definição política que abarque todas essas questões”, apontou Gábor DeákPara ele, um programa com um posicionamento nacional, envolvendo governo e indústria, é necessário para o setor crescer de forma homogênea e em todo o país. 

Segundo Eduardo Muñoz, o veículo elétrico vem como solução, pois introduz mudanças e melhorias para toda a rede elétrica. “É incorreto pensar na mobilidade elétrica como apenas sendo a eletrificação do setor automobilístico. É um sistema diferente de mobilidade, com tecnologias diferentes que exigem tratamentos distintos”, explicou Eduardo. Para ele, as possibilidades abertas pelos veículos elétricos são muitas e devem introduzir uma mudança cultural forte, semelhante ao impacto dos smartphones na comunicação. 

 

Em 2020, o mercado de eletrificados representou 1% do mercado total de veículos no Brasil. Como estimular a adoção da mobilidade elétrica?

“Existe o ideal e o possível que o país pode fazer”, apontou Eduardo, citando a medida do estado da Califórnia que taxa a carbonização (a emissão de CO2 por veículos e indústrias) e usa essa receita para subsidiar tecnologias sustentáveis. Para ele, uma solução para o cenário brasileiro seria isentar tributos para promover a mobilidade elétrica, da mesma maneira que acontece em alguns aspectos do veículo a combustão. Eduardo ainda ressaltou o mercado de crédito de carbono como uma forte tendência sendo adotada na Europa e nos Estados Unidos, especialmente após a COP26, a ser realizada em novembro deste ano, que pretende tornar o Acordo de Paris vinculante para todos os países signatários. 

Para Erwin Franieck, essas discussões devem levar em conta a realidade brasileira e já estão sendo abordadas dentro de programas como o Rota 2030. “A mobilidade elétrica deve somar-se a outras iniciativas de sucesso de descarbonização do Brasil, como o etanol e o biodiesel. É um momento importante para estabelecer um marco regulatório para indicar o caminho a esses players”, apontou Erwin, citando outras inovações, como o uso de hidrogênio e biohidrogênio na mobilidade, e o Anuário da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica como uma fonte de informações que pode balizar as discussões do setor. 

O professor Braz Cardoso lembrou que o veículo elétrico não é uma novidade contemporânea e que já competiu com outras tecnologias no início do século passado, ao lado dos veículos a vapor e a combustão. “O veículo elétrico já foi o preferido em ambientes urbanos, principalmente pelo baixo ruído e por não emitir fumaça. No entanto, logo as rodovias começaram a ser pavimentadas e as pessoas podiam fazer grandes deslocamentos. A decisão pelo veículo a combustão foi tomada, e foi feita pelo consumidor”, contou. Para Braz, é necessário agregar incentivos públicos para o mercado crescer, que deve cativar o consumidor para sustentar o uso da tecnologia. 

 

Como podemos estreitar as conexões entre o governo, a pesquisa e o setor industrial para subsidiar a mobilidade elétrica no Brasil? 

“Para sustentar a mobilidade elétrica, a formação de pessoal é fundamental. Montadoras já contam com mais engenheiros eletricistas do que mecânicos, numa mudança de paradigma da indústria”, apontou Braz Cardoso. Para ele, é possível antecipar uma demanda por aprendizado sobre o funcionamento de veículos elétricos, e tanto mercado quanto a academia devem se preparar para formar e capacitar pessoal de todas as áreas para essa transformação. 

Para Eduardo, é necessário ter em mente qual será o impacto da mobilidade elétrica na sociedade. “Muitos empregos vão surgir enquanto outros vão desaparecer. É importante formar novo pessoal e treinar e adaptar os que já estão no mercado, e nesse movimento é necessário que academia e indústria trabalhem lado a lado”, pontuou. Segundo ele, é necessário pensar que esse movimento acontecerá em breve, e é estratégico para o Brasil sair na frente dessas mudanças. “Precisamos ser um ator ativo na transformação da mobilidade elétrica e não ficar passivo em relação às iniciativas de outros países”, concluiu. 

 

Confira o debate na íntegra no player abaixo: