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Em tudo à Cultura serei atenta

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Símbolo da Cultura. Jornal com texto de Carlos Drummond de Andrade: O pressepe do Pipiripau
Álbum do Presépio do Pipiripau, o Mundo de Raimundo. Disponível em: www.facebook.com/media/set/?set=a.920181104662555.1073741845.357171120963559&type=3

Fundep apoia a UFMG no fortalecimento de quarta dimensão acadêmica: além de Ensino, Pesquisa e Extensão, Universidade defende Cultura como campo indispensável ao ensino superior

 

A calma das casas subindo a ladeira 
Descendo a ladeira e os bichos 
Cândidos bichos de papelão 
Rodeando o menino Jesus que abençoa aquilo tudo! 
 
Meus olhos mineiros namoram o presepe 
e dizem alegres: Mas que bonito! 

 

Sob o pseudônimo de Antônio Chrispim, o poeta Carlos Drumond de Andrade declamava seu encantamento quase pueri pelo “Presepe do Pipiripau”. Tão antigo quanto a própria UFMG, o mecanismo audiovisual composto por 580 peças – metade delas movimentada por uma incrível engrenagem que tem como propulsor o motor de um antigo gramofone – é também uma metáfora de como UFMG e a Fundep combinam engrenagens para formar um singelo, mas poderoso, mecanismo de promoção da cultura.

Dos seus mais de 100 anos, quase 40 foram vividos na UFMG, exposto com orgulho pelo Museu de História Natural e Jardim Botânico (MHNJB). A doação ao museu foi feita pela Fundep, que antes de adquiri-lo do seu artífice, Raimundo Machado de Azeredo (1894-1988), financiou toda sua revitalização. Naquela época, com Raimundo passando dos 80 anos, o presépio estava à beira de se desfazer. Seu criador, ciente da sua idade avançada, buscava quem se dispusesse a garantir a vitalicidade de sua obra.

 

Parceria fundamental

Para evitar que o primoroso engenho tivesse como destino um shopping em São Paulo e garantir que o sistema fosse bem cuidado, a Fundep não apenas adquiriu o presépio como contratou “Seu Raimundo”. Assim, o criador pôde então realizar manutenções e cuidar de sua invenção até sua morte, em 1988. 

E se além de “namorar com os olhos” o presépio, o mineiro ainda passou por uma das 53 edições anuais do Festival de Inverno da UFMG, frequentou o Espaço do Conhecimento, fez uma oficina no Centro Cultural, encheu os ouvidos com boa música no Conservatório, orgulhou-se da trajetória internacional do Coral Ars Nova, encantou-se com os artesãos da Feira do Vale do Jequitinhonha, visitou a Casa Padre Toledo em Tiradentes então, certamente, enredou-se com a UFMG e a Fundep pela cultura.  

 

Mediadora cultural 

“A Fundep tem tido importância fundamental na implementação e execução de programas e projetos culturais da UFMG. Estando inclusas extensão e pesquisa”, avalia o diretor de Ação Cultural da UFMG, Fernando Mencarelli. E, como bem evidencia a parceria formada com o Instituto Cultural Unimed-BH, para a revitalização do Presépio do Pipiripau, em 2015, ou a mobilização da sociedade na campanha Renasce Museu, pela recuperação do acervo atingido por um incêndio em um dos prédios do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, em 2020, a Fundep também é uma importante mediadora de parceiros para a UFMG no campo da cultura.  

“A Fundep tem desempenhado papel de grande importância para o desenvolvimento de programas e projetos que promovem a articulação da universidade com outras instituições. Isso inclui organizaões públicas, órgãos governamentais e organizações sociais com grande compromisso social que atuam em diversas áreas da cultura”, afirma Mencarelli.

A rede de parceiros da UFMG na cultura é constituída em torno da partilha de valores objetivos e comuns ancorados na missão social da universidade. Como instituição pública de ensino superior, a UFMG reconhece seu papel no campo cultural. “Além de sua importância para a viabilização das parcerias interinstitucionais, a Fundep contribui de forma muito relevante para a atuação da universidade junto às comunidades. Isso é feito através de organizações sociais diversas que atuam no campo cultural”, completa o diretor.

 

Apoio a uma fundação para a cultura 

A mais recente empreitada da Fundep em apoio à dimensão cultural é o apoio à transformação da Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade (FRMFA). Até então uma fundação cultural, a FRMFA busca se tornar uma Fundação de Apoio à Cultura. Mas não se trata apenas de uma mudança na nomenclatura. De acordo com Ágatha Dornellas, coordenadora da Fundep, a transformação da FRMFA fortalece seu papel em apoiar a UFMG nos projetos culturais “desde a formulação de projetos a gestão de recursos, tendo em vista as especificidades das fontes de financiamento da cultura”.

Com o melhor aproveitamento dos arranjos jurídicos possíveis para atendimento à UFMG, considerando a legislação específica, a expectativa é que a relação entre as instituições seja mais fluída. “A Fundep tem dado todo o apoio necessário. Atuamos junto à FRMFA em várias frentes. Incluindo estruturação de fluxos e processos, mapeamento dos projetos culturais, captação, até a comunicação, com estruturação do site e reposicionamento”, explica Ágatha.

Para a presidente da FRMFA, Verona Segantini, com uma fundação própria de apoio à Cultura, a UFMG terá ainda mais condições de desenvolver projetos culturais vinculados ao ensino, pesquisa e extensão – pois contará com mais instrumentos e possibilidades de captação, incluindo a aprovação de projetos em mecanismos públicos de financiamento, como a Lei Rouanet – bem como participar de forma articulada com atores do campo cultural.

É também um sinal de respeito à comunidade do campo de Tiradentes, onde se originou a Fundação cujo controle institucional foi transferido para a UFMG em 1997, juntamente com os prédios que hoje compõem o Campus Cultural Tiradentes. “Quando a fundação foi transferida para a UFMG, a Universidade assumiu o compromisso de zelar e potencializar as suas ações. Como Fundação de Apoio à Cultura, a FRMFA terá ainda mais condições de apoiar ações e projetos locais”, finaliza Verona.

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