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Campanha de financiamento coletivo dos hospitais bate meta de R$ 6 milhões

Postado em Saúde
Um grupo de médicos usando máscara na frente do Hospital Risoleta Tolentino Neves
Residentes do Hospital Risoleta Toletino Neves, hospital gerenciado pela UFMG e Fundep.

Lançada há um ano, iniciativa de financiamento coletivo prossegue no momento mais crítico da pandemia de Covid-19. Conheça o sucesso da campanha e saiba como contribuir.

 

Em menos de um ano, a campanha de financiamento coletivo #ColaboreHospitaisUFMG, proposta pela Universidade como medida emergencial para apoiar financeiramente o trabalho de combate à pandemia no Hospital das Clínicas, no Hospital Risoleta Tolentino Neves e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul, bateu a meta de arrecadação de R$ 6 milhões estabelecida por ocasião de seu lançamento, em 24 de março do ano passado. A iniciativa continua, uma vez que a pandemia de Covid-19 recrudesceu nos últimos meses e vive seu pior momento com a explosão de casos e mortes e colapso no sistema de saúde.

Até 11 de março, data da última compilação de dados, haviam sido arrecadados R$ 6,11 milhões, que possibilitaram aquisições como R$ 3,72 milhões em equipamentos hospitalares, R$ 721,25 mil em material médico, R$ 125,83 mil em produtos de limpeza, R$ 101,88 mil em medicamentos, R$ 55,32 mil em equipamentos de informática, R$ 49,27 mil em mobiliário de escritório e R$ 16,44 mil em estrutura.

A reitora Sandra Regina Goulart Almeida faz um balanço positivo da campanha de financiamento coletivo, que mobilizou a sociedade mineira. “Tivemos uma resposta muito expressiva da comunidade universitária, de familiares, egressos da UFMG, instituições públicas e empresas. Sem esse suporte, nossas unidades de saúde não teriam enfrentado a pandemia como enfrentaram”, destaca a reitora. Ela alerta, no entanto, que não é hora de baixar a guarda – tanto que a campanha prossegue. “Vivemos, de fato, um momento de exaustão, mas temos que prosseguir nessa luta. E nossas equipes de saúde, apesar das dificuldades, estão preparadas para continuar enfrentando esse desafio. Apoiar a campanha é uma forma de oferecer respaldo e segurança a essas pessoas tão corajosas”, defende Sandra Goulart.

O professor Maurício Freire, pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFMG, afirma que os recursos obtidos através do financiamento coletivo foram essenciais para a continuidade de funcionamento das unidades de saúde durante o primeiro ano de pandemia. “Os equipamentos e insumos adquiridos com os recursos da campanha ajudaram a salvar muitas vidas. Compramos desde EPIs e medicamentos básicos a respiradores, ajudamos a ampliar leitos exclusivos na UPA, de uma ala de CTI no HC e de uma maternidade no Risoleta”, exemplifica o pró-reitor. Ele lembra que a campanha surgiu em um momento em que as instituições não dispunham de estoque de insumos básicos para o enfrentamento da emergência sanitária. “Naquele momento, com a agilidade executiva da Fundep, pudemos tirar as três unidades de uma situação crítica e planejar ações de longo prazo”, afirma.

 

Urgência imprevista

A professora Andrea Maria Silveira, superintendente do Hospital das Clínicas, afirma que os recursos repassados às unidades de saúde com o financiamento coletivo foram fundamentais para a aquisição de aparelhagem médico-hospitalar indispensável ao atendimento dos casos de covid-19, como monitor multiparamétrico e ventiladores pulmonares, equipamentos de proteção individual e computadores.

“No início da pandemia, fomos surpreendidos com demandas por insumos, principalmente de equipamentos de proteção individual, em quantidades não previstas nos pregões vigentes. Além disso, esses itens ficaram escassos e passaram a ser comercializados no mercado por valores que não tínhamos como mobilizar com a urgência necessária”, explica.

 

Tempos inéditos, medidas inéditas

Em seu mestrado profissional em inovação tecnológica e propriedade intelectual, a analista de comunicação da Fundep Dilian Caiafa está pesquisando o tema do financiamento coletivo para projetos universitários e as implicações dessa modalidade para o desenvolvimento científico-tecnológico do país. Dilian frisa que iniciativas como a #ColaboreHospitaisUFMG não substituem os modos tradicionais de financiamento, mas ajudam a aproximar a Universidade da sociedade. “Os benefícios vão além dos recursos financeiros: passam pelas esferas da divulgação científica e das relações entre esses atores e pelo fortalecimento de uma cultura a favor da pesquisa e do ensino”, exemplifica.

A pesquisadora destaca o sucesso da campanha da UFMG, que conseguiu alcançar um montante de grande vulto em menos de um ano. “O desenho arrojado da campanha, com meta de R$ 6 milhões, foi pensado para suportar o tamanho do desafio que as três unidades de saúde vivem no atual contexto emergencial. Referências na região metropolitana de Belo Horizonte, as unidades estão recebendo materiais, equipamentos e outros insumos conforme seus planejamentos, o que contribui para o atendimento de milhares de pacientes”, comemora.

Com efeito, lembra Maurício Freire, os recursos levantados pela campanha não substituem o orçamento regular das unidades – na verdade, expõem suas próprias limitações financeiras. “O financiamento das três unidades é diverso. O Hospital das Clínicas é vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), enquanto a UPA e o Risoleta são sustentados com recursos do estado e do município. O que a a arrecadação da campanha proporcionou foi agilidade na aquisição de bens e insumos no momento de crise, em processo que passou ao largo do planejamento orçamentário das unidades – que já era insuficiente antes mesmo da crise sanitária”, argumenta Freire.

 

Apoio Fundep

O presidente da Fundep, professor Jaime Arturo Ramírez, avalia que a execução do projeto de financiamento coletivo representou um desafio. “Estou certo de que a UFMG, o Hospital das Clínicas, o Hospital Risoleta Tolentino Neves, a UPA Centro-Sul e a Fundep saíram maiores com essa campanha. Esse projeto mostra claramente que, em uma atuação coordenada, todos ganham. A Fundep permanece à disposição para contribuir neste momento crítico de enfrentamento à pandemia de covid-19 que o Brasil atravessa”, garante Ramírez, que foi reitor da UFMG na gestão 2014-2018.

A Fundep é a responsável pelo planejamento e execução de estratégias de marketing, pela captação de recursos junto a empresas, pelas compras de materiais nos mercados interno e externo (monitorando, inclusive, a urgência das demandas) e pela gestão administrativa e financeira dos recursos. Também cabe à Fundep a gestão do site exclusivo da campanha.

Uma equipe exclusiva foi formada para desenvolver todas as atividades com a urgência necessária da iniciativa. Ágatha Dornellas, do Centro Integrado de Atendimento da Fundep, e Lúcio Silva, da área de Compras da Fundação, compartilharam seus relatos sobre a gestão do projeto:

“Até agora já tivemos mais de 2.500 doadores, entre pessoas físicas e instituições públicas e privadas, o que demonstra como a sociedade se engajou nas questões de atendimento aos pacientes com Covid-19, possibilitando assim às unidades de saúde oferecerem uma assistência de qualidade aos pacientes e familiares.

Não tenho dúvida do quanto a campanha está sendo essencial para que a três unidades de saúde consigam enfrentar a pandemia da melhor forma possível. Com os recursos arrecadados, ajudamos o HRTN ampliar a maternidade e criar uma ala isolada para mães com Covid-19; auxiliamos a abertura de leitos semi-intensivos que foram implantados na UPA Centro-Sul; e apoiamos o HC nas readequações necessárias para seu CTI. Sem falar nos insumos e equipamentos médicos e hospitalares que conseguimos adquirir, entre eles os ventiladores pulmonares.” Ágatha Dornellas

 

“Durante o processo de aquisição dos insumos necessários às unidades de saúde, enfrentamos diversos desafios. No início da pandemia, houve uma escassez de luvas de procedimento médico e máscaras em escala mundial, o que fez com que a equipe dedicasse dias de trabalho exclusivamente para desenvolver fornecedores que pudessem acolher os pedidos de compras.

Outro momento muito delicado foi quando as unidades de saúde precisaram de equipamentos para tratamentos intensivos que seriam utilizados na abertura de novos leitos para o enfrentamento à Covid-19. O desafio abarcou desde as contratações até as entregas dos equipamentos dentro de um prazo razoável para as unidades abrirem seus leitos extras e atenderem a curva ascendente de acamados.

O resultado somente foi possível com acordos comerciais pautados na transparência e dentro dos preceitos legais junto aos fornecedores que compreenderam a emergência da situação e apoiaram a Fundep na missão de adquirir e entregar os insumos com eficiência.” Lúcio Silva

 

A campanha continua

Apesar de ter batido a meta inicial, a campanha #ColaboreHospitaisUFMG vai continuar. Afinal, a pandemia piorou em relação há um ano, e os hospitais e a UPA seguem precisando de recursos. A ocupação nas UTIs de Belo Horizonte permanece em níveis críticos, e os hospitais seguem com seus estoques e sua capacidade de assistência à saúde no limite.

“Um ano atrás, jamais imaginávamos que viveríamos o estágio de colapso do sistema de saúde em que estamos. Quando, em maio do ano passado, autorizamos a compra de respiradores para o HC e o fornecedor no exterior estimou a entrega para janeiro deste ano, imaginamos que chegaria tarde. Ao contrário: chegaram exatamente no pico da crise”, afirma o pró-reitor.

 

Como contribuir

Interessados em contribuir podem transferir qualquer valor para a conta da Fundep, que gerencia os recursos e garante a agilidade de sua execução: Banco do Brasil (001), agência 1615-2, conta corrente 960.419-7 (CNPJ da Fundep: 18.720.938/0001-41). Quem deseja doar bens ou equipamentos pode entrar em contato com a Diretoria de Cooperação Institucional (Copi) da UFMG pelos telefones (31) 3409-4555 e (31) 99306-0348 ou pelo e-mail gab@copi.ufmg.br.

A campanha #ColaboreHospitaisUFMG é realizada pela UFMG em parceria com o Instituto dos Advogados de Minas Gerais (IAMG) e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). Conta com o apoio institucional da Justiça Federal de Minas Gerais, da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Associação do Ministério Público de Minas Gerais e da Associação dos Juízes Federais de Minas Gerais.

 

Com informações da UFMG.