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Apoio fundamental na luta contra a covid-19 

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Fundamental para avanço das pesquisa, apoio Fundep permite continuidade de pesquisas relacionadas à covid-19. Foto: Pedro Vilela/ Divulgação.

Após 22 meses de pandemia, Fundep segue buscando soluções em captação e gestão de recursos para colocar UFMG à frente dos esforços de enfrentamento à pandemia, como na produção da vacina SpiN-TEC, que está pronta para testes clínicos 

 

O que pode uma universidade com 860 grupos de pesquisa cadastrados na base de dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), aproximadamente 600 laboratórios e cerca de 2,8 mil pesquisadores diante de um inimigo que desafiou a ciência e a política ao redor do mundo?

Com a forte parceria de sua Fundação de Apoio, há 22 meses a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) organizou sua capacidade intelectual e sua estrutura para tornar-se uma das principais instituições de ciência e tecnologia do país no enfrentamento da covid-19. Apoiar a Universidade nesta organização, bem como encontrar as soluções de gestão para tal, coube à Fundep que – vivenciando o mesmo contexto de pandemia – não apenas reformulou seus processos, como inovou em soluções, para viabilizar a atuação fundamental da UFMG e demais apoiadas diante da emergência sanitária internacional.

O principal desafio foi mitigar os impactos do ineditismo do contexto. A pandemia alterou necessidades, fluxos de compras, processos, inverteu prioridades e exigiu atenção redobrada, flexibilidade e poder de argumentação para que os pesquisadores pudessem continuar seus trabalhos.

A área de Importação da Fundep, por exemplo, teve trabalho dobrado. O coordenador Guilherme Matos ressalta que o real desvalorizado frente ao dólar nos últimos dois anos, as plantas de produção fechadas e as demandas represadas em diversos países impactaram consideravelmente o aumento da espera para conseguir itens básicos. “Essas questões ainda geram um desgaste imenso, desde o prazo de realização de uma demanda até os custos. A boa notícia é que, apesar de tudo isso, conseguimos manter o peso proporcional dos custos de importação sobre os projetos nos mesmos patamares de antes da pandemia”, pontua Matos.

Mesmo passados quase dois anos, os entraves continuam diversos. A cadeia de suprimentos mundial não foi restabelecida e há uma disputa por produtos e materiais. Nesse cenário, grandes compradores particulares costumam levar vantagem, já que apresentam um volume maior de compras e têm uma burocracia menos engessada.

“Outra questão é que com os diferentes estágios da pandemia pelo mundo e as diferentes regras de restrição de circulação de pessoas, os projetos que precisam de técnicos internacionais para a instalação de equipamentos estão sendo impactados. Para alguns projetos conseguimos fazer modelos remotos, mas para outros é impossível. Tudo isso, mais uma vez, encarece o processo e seguimos batalhando para que as despesas acessórias logísticas sejam mantidas na proporção de antes da pandemia”, completa Matos.

 

Atuação para ampliar a capacidade técnica das Universidades

Enquanto o Brasil via os hospitais serem lotados de pacientes com sintomas de síndrome respiratória aguda grave sem que houvesse kits diagnósticos – até então importados – para produzir testagem massiva para a covid-19, a UFMG se tornou a primeira instituição mineira a produzir um teste nacional para detecção do novo coronavírus. O anúncio da criação de um teste a partir do método Elisa foi em 1 de junho de 2020, menos de três meses depois da suspensão das atividades presenciais em função do novo coronavírus.

A criação do teste de diagnóstico dentro do Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG (CTVacinas) – que, como o próprio nome indica, é um centro de referência no estudo de imunizantes – é o exemplo de como a pandemia obrigou pesquisadores de diferentes áreas a rever linhas de pesquisa, redirecionar estudos e, principalmente, se unir em busca de alternativas que pudessem acelerar a chegada de uma solução, salvando vidas.

Na UFMG, esse movimento foi institucionalizado com a criação do CooLabs, Programa de Cooperativa de Laboratórios, que, por meio da edição CooLabs Covid-19, reuniu laboratórios da Universidade para testagem diagnóstica da doença, ampliando sua gama de serviços. Passaram a ser oferecidos serviços que detectam novas variantes do vírus Sars-CoV-2, exames sorológicos, testes de identificação de variantes virais por genotipagem, testes ambientais e análise do genoma completo do novo coronavírus para estudos epidemiológicos e vacinais.

Em um ano de programa, que foi estruturado pela Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG (PRPq) e é gerenciado pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), as quatro unidades da rede – Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), Centro de Tecnologia em Vacinas (CTVacinas), Laboratório Institucional de Pesquisa em Biomarcadores (Linbio) e Laboratório de Biologia Integrativa – realizaram 115 mil exames RT-PCR para a rede privada, com uma média de 10 mil testes por mês, além de 234 mil testes para a rede pública.

Segundo o analista de projetos da Fundep Marcos Mardem, a diversidade de laboratórios envolvidos mostra o quanto as soluções urgentes e complexas exigem a conjugação de diferentes conhecimentos e o compartilhamento de dados e informações. “O CooLabs é um ecossistema de cooperação que acompanha as demandas do tempo. O novo desafio é a identificação de novas variantes do vírus. Até agora mais de 4 mil amostras já foram analisadas. Isso evidencia a importância da capacidade técnica da UFMG e da expertise em gestão da Fundep para resolver os problemas da sociedade”, destaca o analista.

 

Prefeito Alexandre Kalil em visita ao CTVacinas: repasses da prefeitura, imprescindíveis para continuidade das pesquisas da Spint-TEC, são gerenciados pela Fundep.
Foto: Almira Hissa (PMBH)/ Divulgação
Criar redes para solucionar demandas 

O impacto mais óbvio e, talvez, mais forte, viria sobre as unidades de saúde ligadas à Universidade. O Hospital das Clínicas (HC/UFMG), o Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul precisavam se preparar em um tempo mínimo e com recursos ainda mais contados do que o normal, visto que o volume de atendimentos certamente aumentaria sem nenhuma verba a mais no planejamento, pelo menos não imediatamente.

Uma ideia inovadora surgiu e logo foi posta em prática devido à urgência do contexto: o financiamento coletivo “Colabore com os Hospitais da UFMG”. O resultado surpreendeu até os mais otimistas. Em um ano foram arrecadados mais de R$ 6 milhões, mobilizando a comunidade acadêmica e parceiros externos, como a Assembleia Legislativa de Minas Gerais e o poder judiciário que destinou parte de uma indenização da Vale relacionada às consequências do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho

A campanha de mobilização foi finalizada em março de 2021 e arrecadou R$ 6,11 milhões, que possibilitou aquisições como R$ 3,72 milhões em equipamentos hospitalares, R$ 721,25 mil em material médico, R$ 125,83 mil em produtos de limpeza, R$ 101,88 mil em medicamentos, R$ 55,32 mil em equipamentos de informática, R$ 49,27 mil em mobiliário de escritório e R$ 16,44 mil em estrutura.

 

Esperança por meio da ciência 

De todas as iniciativas apoiadas pela Fundep no enfrentamento à pandemia, a que mais mobiliza esperanças e expectativas da sociedade é a SpiN-TEC – a vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo CTVacinas. Já carinhosamente apelidada de CoronaUai ou UaiVac, entre tantas outras bem-humoradas invenções dos mineiros, a SpiN-TEC aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ter sua terceira fase de estudos iniciada: os testes clínicos.

A Fundep é a gestora do patrocínio de R$ 30 milhões concedido pela Prefeitura de Belo Horizonte à UFMG para o desenvolvimento da vacina. De acordo com a pesquisadora do CTVacinas Ana Paula Fernandes, os recursos são usados no pagamento de despesas de custeio relacionadas à manutenção e experimentos, na compra de reagentes (para avaliação da resposta imune, produção e formulação das vacinas), na produção de lotes de teste para análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na supervisão dos ensaios, no preparo da documentação de pedido de registro e na execução dos testes pré-clínicos e nas duas etapas dos ensaios clínicos.

De acordo com o integrante do Comitê Gestor e Científico do CTVacinas Flávio da Fonseca, trabalhar na busca de uma solução tão urgente quanto inédita em tão pouco tempo exige um senso de organização e gestão enorme. A gestão é dividida em duas partes: a primeira é a gestão científica, capaz de organizar as ideias e desenhar o projeto, avaliando através de testes, planilhamento e verificações o caminhar da pesquisa. E a segunda gestão é a administrativa.

“Nessa pressão por resultado, se tivéssemos que fazer a gestão administrativa, não daríamos conta. Seria absolutamente impossível, gastando 50% do tempo em coisas que não temos treinamento para fazer. Aí entra a Fundep com sua grande expertise. Hoje, todos os projetos do CTVacinas são geridos pela Fundação, que tem toda a capacitação possível. Tudo deu certo porque as pessoas se uniram e criaram novas relações diante da urgência e ineditismo da situação. Não passaríamos por tudo isso com estruturas antigas, tínhamos que formar novas alianças”, avalia Fonseca.

Integrar o CooLabs também é apontado pelo professor como um diferencial do CTVacinas, permitindo a troca de conhecimentos com diferentes unidades universitárias. A expectativa é que, iniciados os novos testes, e a pesquisa seguindo o rumo estabelecido, já no fim de 2022 a vacina esteja em produção. “O CooLabs é importantíssimo, uma iniciativa fantástica. Antes éramos limitados a atender o ente público. O programa abriu a possibilidade de ofertar conhecimento também para o ente privado, ampliando a cobertura de atendimento e a troca de conhecimentos”, aponta.

Mesmo com os revezes na gestão do enfrentamento da pandemia em âmbito federal, o pesquisador espera que a atual crise sanitária desperte uma nova forma de se compreender a ciência. “Tivemos uma oportunidade de aprender com o Zika vírus. O Brasil deu uma resposta para o mundo inteiro. Foram cientistas brasileiros que interpretaram corretamente o que estava acontecendo. Mas quando acabou a crise, a ciência perdeu recursos, as pessoas se esqueceram, os pesquisadores foram embora. Espero que agora não seja a mesma coisa. Espero que surja um legado permanente. E as infraestruturas de ciência e pesquisa sejam realmente valorizadas como fundamentais para a saúde das pessoas e o desenvolvimento econômico e social do Brasil”, finaliza o pesquisador. 

 

Distinção máxima na atuação contra a pandemia

Iniciativas como essas condecoraram a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, com o grau Grande Mérito, a mais alta distinção da Ordem do Mérito Legislativo. A cerimônia foi realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no último dia 22, e também agraciou Flávio da Fonseca, do CT-Vacinas UFMG, com o grau Mérito Especial.

A reitora destacou o desenvolvimento da vacina contra a covid-19 como exemplo do trabalho articulado entre pesquisadores da Universidade, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de outras entidades, em consonância com diferentes esferas de governo. “De fato”, lembrou a reitora, “se aprendemos algo neste tempo tão doloroso em que vivemos, foi a necessidade de [investirmos em] um trabalho de fato colaborativo e cooperativo entre pessoas, instituições, governos e país”. 

 

(Com informações do Portal UFMG)

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