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UFMG defende adoção imediata de medidas reparadoras em Brumadinho

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Bandeiras de Minas Gerais, do Brasil e da UFMG hasteadas em frente ao prédio da Reitoria – Crédito: Lucas Braga/UFMG

A Reitoria da UFMG divulgou, no dia 30/01, nota à comunidade em que defende a necessidade imperiosa de adoção de medidas de reparação às comunidades atingidas pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, no último dia 25.

“Não podemos conceber o que se deu em relação ao rompimento da Barragem do Fundão, de propriedade da Samarco, Vale e BHP, localizada no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana: os atingidos, depois de mais de três anos, ainda permanecem em uma situação de insegurança diante da indefinição de medidas de fato reparadoras”, observam, no texto, a reitora Sandra Regina Goulart Almeida e o vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira.

No comunicado, os dirigentes também defendem a necessidade de se buscar processos mais adequados de uso dos recursos naturais: “É forçoso que os empreendimentos de natureza comercial levem em consideração o direito das comunidades locais e a preservação ambiental e da fauna. A vida precisa estar em primeiro lugar”.

Leia abaixo a íntegra do comunicado:

Nota à Comunidade Universitária

O desastre ocasionado pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale, na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, provocou uma grande tragédia humana, ambiental, social e política, afetando a vida da população, atingindo a fauna e a flora, degradando os recursos naturais e causando impacto incalculável às comunidades locais.

A Universidade Federal de Minas Gerais manifesta sua consternação e seu profundo pesar e externa sua solidariedade a membros da nossa comunidade universitária que sofreram perdas, aos familiares de todas as vítimas e a todos aqueles atingidos. Como instituição pública de ensino superior, temos um compromisso com nosso estado e nosso país e com os valores de cidadania e justiça social. Por tudo isso, a UFMG não poderia ficar alheia aos esforços que agora se impõem para, neste primeiro momento, minorar as dores e os impactos provocados por mais este grave desastre em Minas Gerais.

É imperioso que medidas reparadoras comecem a ser adotadas com agilidade, garantindo o direito das populações atingidas, e que as autoridades públicas procedam a uma rigorosa apuração das responsabilidades. Não podemos conceber o que se deu em relação ao rompimento da Barragem do Fundão, de propriedade da Samarco, Vale e BHP, localizada no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana: os atingidos, depois de mais de três anos, ainda permanecem em uma situação de insegurança diante da indefinição de medidas de fato reparadoras.

Além da solidariedade da comunidade universitária a toda população atingida, a UFMG está se organizando, assim como foi feito em novembro de 2015 no caso de Mariana, para colocar nossos recursos à disposição da comunidade de Brumadinho e das autoridades. No entanto, é preciso ir além do ato de reparar, de recompor. É necessário que aprendamos lições com as tragédias que nós, seres humanos, geramos com nossas ações, muitas vezes predatórias. É impreterível que encontremos formas mais adequadas, éticas e compromissadas de uso dos recursos naturais; é forçoso que os empreendimentos de natureza comercial levem em consideração o direito das comunidades locais e a preservação ambiental e da fauna. A vida precisa estar em primeiro lugar.

A UFMG, instituição pública dotada de uma sólida base científica e humanística, está empenhada em contribuir para enfrentar as trágicas consequências de desastres que, como este, poderiam e deveriam ser evitados a todo custo. Que a memória daqueles que foram tragicamente atingidos nos motive a lutar sempre para que esse cenário não se repita jamais.

Belo Horizonte, 30 de janeiro de 2019.

Sandra Regina Goulart Almeida – reitora

Alessandro Fernandes Moreira – vice-reitor

Fonte: Portal UFMG