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Paulo Beirão assume Diretoria do CNPq

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O professor Paulo Sérgio Lacerda Beirão, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, assume nesta segunda-feira, em Brasília, o cargo de diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Tal estrutura é responsável pelo julgamento de pedidos de financiamento nas três áreas do conhecimento, e pela indução de alguns projetos especiais, com o Programa de Biodiversidade.

Ao assumir a diretoria, que concentra cerca de 50% dos processos de fomento à pesquisa no CNPq, Beirão diz que enfrentará pelo menos quatro desafios: reduzir a burocratização de processos que travam atividades de pesquisa, como importações e licenças; refinar os métodos de avaliação qualitativa de julgamento dos pedidos de financiamento; estimular a interdisciplinaridade e o trabalho em rede; e desenvolver estratégias para que o conhecimento gerado nos laboratórios seja transformado em produtos.

Beirão também lembrou que o CNPq e o próprio sistema de ciência e tecnologia terão que aumentar os investimentos nos próximos anos para permitir que o Brasil alcance o ritmo das nações filiadas à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega 31 países. Só o CNPq deverá dobrar seus investimentos nos próximos anos.

“Em média, esses países investem 2,2% do PIB em pesquisa, enquanto no Brasil a proporção é de 1,5%”, compara Beirão, com a ressalva de que, nos últimos oito anos, os aportes na área foram significativos.

Trajetória

Médico formado pela UFMG em 1972, Paulo Sérgio Lacerda Beirão é mestre e doutor pelo Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e pós-doutor pela University of Leicester, do Reino Unido. De lá, trouxe técnicas importantes como a voltage clamp e de patch clamp, tendo sido o primeiro a usá-las no Brasil para a investigação de mecanismos de ação de toxinas. Figura também entre os pioneiros no país a demonstrar que canais iônicos podem saturar.

Beirão também desenvolveu pesquisas que demonstraram o mecanismo de ação de diversas toxinas de aranhas do gênero Phoneutria sobre canais de sódio, de cálcio e de potássio. Recentemente, propôs e demonstrou mecanismo molecular da ação de toxinas de escorpião, bem como do controle da inativação rápida em canais de sódio.

Ele também ocupou cargos de direção na UFMG, como o de pró-reitor de Pesquisa, entre 1998-2002. Sob sua gestão foi elaborado o projeto de estruturação do Parque Tecnológico (BH-TEC) e coordenada a criação do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (Ieat) da UFMG, do qual foi o primeiro presidente. Ele também preside o Conselho Curador da Fapemig e é membro titular da Academia Brasileira de Ciências.

Leia mais sobre o currículo do professor na Plataforma Lattes e sobre o seu trabalho de pesquisa em matéria do Boletim UFMG.

Fonte: UFMG