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Pato-mergulhão e a bandeira pela natureza

Postado em Ciência, Tecnologia e Inovação
Pato Mergulhão – foto Adriano Gambarini

Hoje comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. No Brasil, vivemos um panorama de contrastes: de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, o país ocupa o primeiro lugar em número de espécies de animais, microrganismos e plantas, ou seja, possuímos a maior biodiversidade do planeta; por outro lado, os últimos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registram 627 espécies da fauna sob ameaça de extinção com aves (160), peixes de água doce (142) e insetos (68) entre os mais vulneráveis.

Neste contexto, o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) é uma das aves aquáticas mais ameaçadas de extinção no mundo e, ao mesmo tempo, um importante bioindicador da qualidade das águas, já que é extremamente sensível à degradação e perda de seu habitat natural. Atualmente, a espécie é encontrada exclusivamente no Brasil, no Parque Nacional da Serra da Canastra e áreas próximas à Serra do Salitre, (MG), no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), e na região do Jalapão (TO).

Preservando um símbolo ambiental

Para proteger a espécie e monitorar suas últimas áreas de ocorrência, o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolve um projeto de conservação da ave por meio de ações previstas no Plano de Ação Nacional para a Conservação do Pato-Mergulhão do Instituto Chico Mendes (ICMBio). “Nossos parceiros fazem o trabalho de campo e manejo da espécie, enviando amostras de tecido para análises de DNA. Por meio da investigação de variações moleculares podemos, por exemplo, entender mais sobre o comportamento reprodutivo da espécie, o status de ameaça das populações remanescentes e o melhor manejo dos indivíduos de cativeiro”, explica o professor do ICB e coordenador da pesquisa, Fabrício R. Santos.

O projeto estuda a história evolutiva do pato-mergulhão e identifica as relações de parentesco entre os indivíduos, levantando dados importantes para a elaboração de estratégias de manejo que visam a preservação da espécie. Estima-se que a população total da espécie Mergus octosetaceus seja inferior a 250 indivíduos. A construção de empreendimentos, a remoção da vegetação e a poluição por meio de defensivos agrícolas, adubos, resíduos de mineração e descargas orgânicas, como esgotos residenciais, são os principais fatores de ameaça à ave. “O pato-mergulhão habita áreas de nascentes de água cristalina, mas está sendo extinto na maior parte dos ambientes degradados, onde ocorre a intervenção humana. Portanto, é uma espécie bandeira para a conservação de seu habitat e importante símbolo de educação ambiental. Protegendo o pato-mergulhão estamos protegendo também as matas e os rios onde ele vive”, completa Davidson Campos, mestrando que compõe a equipe da iniciativa.

O projeto é financiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e conta, também, com a parceria do Instituto Terra Brasilis. A gestão administrativa e financeira é realizada pela Fundep, que viabiliza atividades fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa. “Participamos desde as questões iniciais, como a captação de recursos, até a implementação e execução do projeto com a aquisição de materiais, a prestação de contas e a interface com o financiador”, explica Ana Paula dos Santos, da Gerência de Apoio a Projetos da Fundep.

Conheça mais sobre o pato-mergulhão e o Plano de Ação Nacional para a sua preservação:
Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a conservação do Pato-Mergulhão (Mergus octosetaceus)