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Cenário, economia e desenvolvimento no Innovation Summit Brasil 2019

Postado em Ciência, Tecnologia e Inovação

Com o tema “Ecossistemas de Inovação: criativos, conectados e competitivos”, o Innovation Summit Brasil 2019 realizou sua primeira edição em Florianópolis, Santa Catarina, de 12 a 14 de agosto. O principal objetivo do evento foi formular proposições para apoiar e estimular o investimento em empreendedorismo inovador no país. Assim, cerca de duas mil pessoas, do Brasil e outras nações, se reuniram para definição de ações voltadas ao fortalecimento da capacidade de inovação, da competitividade da economia do país, dos ambientes promotores de inovação, da pesquisa científica, da interação entre instituições de pesquisas e empresas, da atração de capital, da cultura empreendedora, e da geração de emprego e renda.

Destaques da programação

 Com uma agenda diversificada, foram trabalhadas seis trilhas: incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos, empresas, investidores e gestores de inovação. O evento contou com workshops, encontros, reuniões de trabalho, conferências, cursos, fóruns, plenárias temáticas e sessões técnicas de apresentação de artigos

A palestra magna contou com o Ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes. Em sua fala, ele contou sobre a sua história humilde e o sonho de se tonar astronauta, a passagem pela aeronáutica, e a viagem ao espaço. “Devemos permanecer juntos, passar por dificuldades juntos, com o objetivo de voarmos junto para ter sucesso nessa missão que chamamos de Brasil”, comparou o Ministro. Pontes ressaltou, também, os principais projetos do MCTIC voltados para o empreendedorismo e a inovação, como a Lei do Bem e a Lei de Informática, o Marco Legal das Startups, que, segundo ele, está prestes a entrar em operação, o Plano Nacional de Internet das Coisas, o Programa Cenelha, o Conecta Startup Brasil, entre outros. (Saiba mais sobre a palestra magna aqui.)

MCTIC – ministro Marcos Pontes

O primeiro debate teve a presença do ministro de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, Manuel Heitor, e o presidente do Instituto de Tecnologia Technion, de Israel, Prof. Peretz Lavie. Eles apresentaram cases internacionais de sucesso na articulação dos diversos atores envolvidos em um ecossistema de inovação, com impactos significativos para a economia, o desenvolvimento social e a criação de uma cultura de empreendedorismo e inovação. (Saiba mais sobre o debate aqui.)

Os investimentos em C,T&I, tanto públicos como privados, são avaliados quanto ao impacto e retorno para a sociedade. A plenária de indicadores tratou sobre a importância das métricas para comprovar o papel da transferência de tecnologia, do empreendedorismo no PIB dos países, e de diferentes metodologias para esta avaliação. Com moderação de Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciência, a plenária também contou com a presença de Kevin Cullen, vice-presidente de inovação e desenvolvimento econômico da King Abdullah Universidade de Ciência e Tecnologia, da Arábia Saudita, e com o economista do Banco Mundial, Xavier Cirera. Para Kevin Cullen, mensurar o impacto é uma jornada caótica. “Avaliar o impacto das pesquisas na economia é um problema que todos querem resolver, isso é bom e ruim ao mesmo tempo, pois se por um lado há muitas pessoas trabalhando nisso, por outro ainda não conseguimos uma resposta. Os resultados são imprevisíveis, aleatórios e vêm a longo prazo, por isso é tão difícil de medi-los”. Xavier Cirera apontou os desafios presentes no Brasil, no sentido de mensurar os impactos em CT&I na economia e na sociedade, e seu papel para estruturar melhores políticas. “Temos três questões críticas no país quando se trata de retorno em recursos aplicados em inovação, que envolvem problemas em medir alguns dos inputs e outputs de CT&I, como em produtos e processos inovadores ou adoção de tecnologias, dificuldade de mensurar todos os impactos externos e spillovers, além dos impactos socioeconômicos e, por último, a necessidade explicar a heterogeneidade dos retornos e sua eficiência”. (Saiba mais aqui.)

Na sessão “Investimento Inteligente: Como investidores podem contribuir para unicórnios brasileiros”, participaram Tony Qui, CEO da 99 desde abril de 2018 e vice-presidente da DiDi Chixung para a América Latina. Até janeiro de 2018, nenhuma startup brasileira havia alcançado o patamar de unicórnio. De lá para cá, seis empresas já integram a lista de unicórnios brasileiros, sendo elas 99, Nubank, Movile, Stone, Arco e Gympass. Kokron, ressaltou esse potencial de crescimento das empresas brasileiras mesmo em momentos críticos na economia do país. “As empresas estão crescendo de 70% a 80% por ano, mesmo com o cenário econômico do Brasil, isso mostra que a oportunidade de criação de valor é real. Os tempos mudaram, o crescimento agora é questão de sobrevivência” finaliza. (Saiba mais aqui)

Para debater sobre o tema “O Brasil pós reformas: como ficam a competitividade e a inovação?” foram convidados o Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Alexandre da Costa, e o Presidente da Fapemig e do Confap, Evaldo Vilela. De acordo com o Secretário, a produtividade no Brasil é baixa e está estagnada há anos. Em relação aos Estados Unidos, a produtividade brasileira vem caindo desde 1980 e, hoje, é menor do que 25% da americana. “Atualmente, precisamos de quatro brasileiros para produzir o que um americano produz. Não temos guerras ou desastres naturais, mas tivemos um desastre de política econômica. O Estado veio falar o que o empresário deve fazer. Inventamos muitos empecilhos e burocracias”, explicou Carlos da Costa. Os desafios à produtividade identificados foram agrupados em 6 grandes blocos de atuação: infraestrutura inadequada ao desenvolvimento produtivo, baixo nível de competição e regulação ineficaz, falta de capital humano qualificado, grandes obstáculos ao funcionamento das empresas, ineficiência das políticas de promoção da produtividade e modernização, e baixo nível de integração à economia global. “Temos uma nova visão da economia. Pretendemos viabilizar o aumento da produtividade, da competitividade e do emprego por meio da livre iniciativa, do mercado concorrencial, do capital humano e da modernização das empresas brasileiras”, disse o Secretário, que tem metas ambiciosas até 2022. (Saiba mais aqui.)

Fundep presente

Para participar das discussões, acompanhar os conteúdos e ampliar a conectividade com diversos atores do ecossistema de inovação do Brasil e do mundo, a Fundep também integrou o Innovation Summit, representada pelo diretor Ramon Azevedo e pela gerente de Negócios e Parcerias Janayna Bhering.

“Satisfação em ver representantes de diversas instituições da tríplice hélice discutindo uma mesma pauta: inovação como pilar estratégico para o desenvolvimento econômico. O momento é oportuno e o arcabouço legal está cada vez mais favorável para que as interações aconteçam. Talvez nosso maior desafio possa ser resumido em uma palavra: “Mindset”. A quebra de paradigmas e mudanças culturais são necessárias para o estímulo à inovação aberta e aumento de competitividade do nosso país. E para isso temos os recursos necessários, principalmente capital intelectual para alcançarmos nossos objetivos. Juntos somos mais fortes!”, diz Janayna.

Para o diretor da Fundep, Ramon Azevedo, “as apresentações demonstraram um amadurecimento do ecossistema nacional de forma geral e em todos os seus pilares: educação, estruturas de apoio, relação da universidade com a sociedade, estrutura de capital, legislação, etc. Foi importante encontrar representantes de todos os setores reunidos, compartilhando experiências e articulando a construção de programas em conjunto”.

Agência de inovação da Fundep, a Fundepar também marcou presença no Innovation Summit Brasil. “Especificamente, participamos da 6ª Conferência Brasileira de Venture Capital, onde pudemos interagir com os principais players do mercado sobre relevantes temas como a Entrada de Capital Estrangeiro, Marco Legal das startups, Perspectivas dos Gestores de Fundos, Tendências de Mercado e Tecnologia, entre outros”, conta Carlos Lopes Junior, gerente de portfólio da Fundepar.
A convite do Sebrae, a Fundepar integrou o Startup Summit Brasil, que aconteceu também em Florianópolis, dias 15 e 16 de agosto. O evento teve a presença de mais 3mil pessoas interagindo em feira de negócios, palestras e diversas trilhas de conhecimento que tratavam de temas como: Captação de Investimento, Corporate Venture, Bootstrapping,  Estratégias de crescimento, Vendas, dentre outras, tudo exemplificado com grandes exemplos de sucesso do mercado. “Fizemos parte da banca de Seleção do 1º Desafio Sebrae Like a Boss, no qual startup apresentaram seus pitchs para uma banca de investidores. Foi uma intensa e produtiva semana de importantes conexões, trocas de experiências e aprendizado”, conclui Carlos.

Fundepar na banca de Seleção do 1º Desafio Sebrae Like a Boss
Summit

O Summit é uma iniciativa da Rede Nacional das Associações de Inovação e Investimentos (RNAII), da qual a Anprotec faz parte juntamente com a Abipti (Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação); a ABstartup (Associação Brasileira de Startups); a Abvcap (Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital); a Anjos do Brasil; a Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras); e o Fortec (Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia).

Juntas, essas associações representam mais de mais de 150 instituições de pesquisa, 300 gestores de núcleos de inovação, 370 ambientes de inovação (incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos), 120 investidores de venture capital, 5000 startups, 7000 investidores anjos, e 200 empresas inovadoras de grande e médio porte, na colaboração e fortalecimento de ações, públicas e privadas, focadas na transformação do conhecimento em riqueza.

Fonte: com informações do Portal do Innovation Summit