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História e conhecimento sobre rodas

Postado em Ciência, Tecnologia e Inovação

Um grande caminhão amarelo que, ao passar pelas ruas e estradas, já chama a atenção de todos. Ainda olhando de fora, não é possível ter a real dimensão da carga que esse veículo transporta. Dentro do baú, importantes capítulos da história do Brasil. E mais: um universo infinito de conhecimento e saberes preparados para serem absorvidos e construídos.

Quando estacionado, o veículo se desdobra e se transforma em um museu. Toda a trajetória dos movimentos sociais ligados à luta agrária em nosso país está contada ali, no caminhão chamado “Sentimentos da Terra”.

Montado em veículo moderno e equipado com tecnologia de informação e entretenimento de ponta, o caminhão-museu apresenta uma exposição itinerante, com diversas atividades. O ambiente promove debates e resgata personagens e acontecimentos muitas vezes esquecidos, além de fornecer repertórios em várias áreas do conhecimento, como história, geografia e literatura.

Exposição aberta

Até 9 de março, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é o estacionamento do Sentimentos da Terra. A exposição itinerante tem entrada gratuita e pode ser visitada de manhã e à tarde, em frente ao gramado da Reitoria. Mais informações sobre a exposição e agendamento de grupos: (31) 3409-5513 / projetorepublica@ufmg.br

Projeto

O projeto é resultado da pesquisa realizada por equipe de pesquisadores da UFMG, com curadoria do Projeto República, coordenado pela professora Heloísa Starling, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG. O projeto visual, a museografia e a realização dos vídeos de animação foram coordenados pelo artista gaúcho Gringo Cardia. O objetivo é cruzar estradas, chegar a cidades e lugarejos, para apresentar os fatos sobre a questão agrária a uma variedade de público, incentivando a disseminação do conhecimento, promovendo educação e ampliando a consciência crítica.

O conteúdo do caminhão museu conjuga rigor acadêmico, linguagens acessíveis e ferramentas pedagógicas atrativas. Utilizando fontes históricas variadas, como o cinema, a canção, a fotografia e a literatura, é capaz de mobilizar públicos de idades e formações variadas.

Entre seus ambientes e atividades estão duas salas de cinema, e projeção em blu-ray. São elas: o Espaço da Imaginação, com seis computadores conectados à internet, mesa de leitura e mais de 500 livros sobre arte, fotografia, geografia, história, costumes e tradições; tela interativa com seleção de reportagens atuais sobre o interior do Brasil e a Galeria Grandes Personagens com o perfil de oito figuras-ícone da história do campo brasileiro.

O museu itinerante conta ainda com contadores de histórias, tenda e cenários com roupas temáticas de época, que possibilitam aos visitantes tirarem fotos vestidos como personagens da história brasileira, e karaokê com canções de temática rural.

Imagens divulgação do projeto – crédito: Bruno Figueiredo 

Parceria Fundep

A Fundep faz parte desta iniciativa, com a gestão administrativo-financeira, viabilizando todas as atividades para o desenvolvimento do projeto. Destaca-se a compra do próprio caminhão e o desafio de transformar o veículo em museu, conforme idealizado pela coordenação, o que demandou logística e processos específicos, como seguro atípico e particularidades na documentação. A Fundep foi responsável, também, por todas as aquisições de intraestrutura e de equipamentos; pelo pagamento dos colaboradores; pela contratação dos notórios saberes das áreas, que são acadêmicos e artistas que atuaram na concepção museográfica e participaram na narração dos vídeos, entre outras questões.

Na estrada

Desde março de 2013, o caminhão museu já percorreu 16 cidades brasileiras: Belo Horizonte, Jequitibá, Pouso Alegre, Poços de Caldas, Chapada Gaúcha, Caxambu e Diamantina (Minas Gerais); Limeira, Araçoiaba da Serra e São Paulo (São Paulo); Rio de Janeiro (Rio de Janeiro); Salvador (Bahia); Goiânia (Goiás); Brasília (Distrito Federal); Mossoró (Rio Grande do Norte); Marabá (Pará). Nesses cinco anos, cerca de 48 mil pessoas acompanharam as atividades do museu.

Recentemente, o projeto conquistou o terceiro lugar na Categoria I do Prêmio Ibero-americano de Educação e Museus, que reconhece práticas de ação educativa em museus e instituições afins – clique aqui e confira.