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Fundação Kellogg busca equidade racial no Nordeste do Brasil

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Após 15 anos de atuação focada no combate à pobreza, no desenvolvimento local e em juventudes no Brasil, a Fundação Kellogg deu início, em 2007, a uma avaliação geral de seus trabalhos e partiu em direção a um novo desafio: a busca da equidade racial como forma de inclusão social. A instituição lançou em 2008, com o apoio da Fundep – Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, uma programação voltada para o desenvolvimento social da população negra no Nordeste do Brasil e quer investir, nos próximos cinco anos, na formação de lideranças, no incentivo a uma cultura filantrópica e na criação de um mecanismo que garanta sustentabilidade para a causa no país.

Segundo o diretor de Programas para o Nordeste do Brasil, Andrés Thompson, a mudança de orientação da Kellogg partiu do seguinte questionamento: é possível vislumbrar o desenvolvimento sustentável no Nordeste se não tratarmos especificamente do desenvolvimento social da população negra? Além disso, teve como princípios uma reflexão sobre a desigualdade no Brasil e a necessidade de se realizar um trabalho com foco específico na questão racial no Nordeste, visto que é a região onde a maioria das pessoas negras do País se encontra. Outro dado importante é que 70% da população vulnerável brasileira é afrodescendente.

A estratégia de mudança da programação conta com dois pilares: um programa articulado de desenvolvimento e fortalecimento de lideranças locais comprometidas com a luta pela equidade racial e a criação de um novo e permanente mecanismo de sustentabilidade da causa. Esse mecanismo deverá caráter autônomo e vai funcionar como um promotor e articulador de iniciativas em prol da equidade racial. A sua estrutura ainda não foi definida – pode ser uma fundação, um instituto, universidade, museu, etc. – mas ele deve ter autonomia política, ser autossustentável financeiramente, permitir atuação de longo prazo e contribuir para o desenvolvimento de trabalhos das organizações negras no Nordeste.

A formação desse mecanismo conta com dois comitês: um programático e outro financeiro, que serão responsáveis pela proposição de um modelo, pela implantação da ideia, pelas decisões referentes aos recursos envolvidos e por assegurar idoneidade e transparência a todo o processo, desde a captação dos recursos até a sua prestação de contas.

Para a concretização de suas estratégias, a Fundação Kellogg vai realizar um alto investimento e quer mobilizar outras entidades brasileiras e internacionais, assim como as pessoas do País e do exterior, para a composição de um fundo patrimonial desse mecanismo. A Kellogg propõe uma ação inovadora e chama outras pessoas, setores e organismos para participar. “Dessa forma, queremos chamar atenção para o tema e incentivar uma cultura filantrópica no Brasil”, ressalta Thompson.

+ Leia mais sobre este projeto no Jornal da Fundep – Edição nº 52