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De onde vêm os diamantes?

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Além do valor econômico e da sua importância histórica e cultural ao longo dos últimos séculos, os diamantes também despertam interesse da geologia. Mais especificamente, quem vem chamando a atenção de uma equipe de pesquisadores da UFMG são as estruturas rochosas nas quais eles se encontram, os chamados kimberlitos. Identificar sua ocorrência e avaliar a possibilidade de existência e exploração do mineral precioso nessas formações são alguns dos objetivos do projeto “Investigação de kimberlitos e aluviões com contribuição kimberlítica em Minas Gerais”, desenvolvido no Departamento de Geologia do Instituto de Geociências da Universidade.

O coordenador do projeto, professor Geraldo Norberto Chaves Sgarbi, explica que o kimberlito é uma rocha ígnea ou magmática, que conecta a superfície da Terra ao seu interior por meio de  um conduto vulcânico, e por onde o magma (rocha fundida em regiões profundas do planeta que, quando expelida por um vulcão, dá origem à lava) flui. Em sua subida, se o magma atingir uma rocha com diamante em estado bruto, ele é capaz de transportar consigo o mineral. No entanto, pondera o professor Sgarbi, existem diversos tipos de magma, com composições variadas, diferentes velocidades de subida e grau de destruição. “Os kimberlitos vem de profundidades maiores que os demais. No entanto, se ele não encontra diamantes em seu caminho, se torna um kimberlito estéril”.

O Brasil vive um enigma geológico, visto que, mesmo já tendo ocupado o posto de maior produtor de diamantes do mundo no século XVIII, ainda não apresentou registros de kimberlitos mineralizados, como ocorre em locais como a Rússia, África, América do Norte e Austrália. “Todas as nossas ‘pedras’ são encontradas em aluviões e margens de rios. Tal fato deve-se ao intemperismo que, em nosso clima tropical e úmido, destrói as rochas. Os kimberlitos mineralizados foram destruídos ao longo do tempo geológico por esses processos e transportados pelos rios, incorporando-se aos depósitos aluvionais”, conta o coordenador.

Nesse sentido, a equipe do professor Sgarbi trabalha há quatro anos na identificação dos condutos vulcânicos em Minas Gerais e na verificação da potencial existência de diamantes. Para tanto, utiliza uma metodologia própria, adequada a identificação de materiais alterados e tem formado profissionais gabaritados no assunto, além de oferecer orientações para garimpeiros e trabalhadores da área, que sofrem com a falta de informações. Segundo o pesquisador, a região de Minas Gerais onde essas formações geológicas são mais encontradas é o Alto Paranaíba, compreendendo cidades como Patos de Minas, Coromandel e Patrocínio. “Não é por acaso que os maiores diamantes brasileiros encontrados são originários destas regiões”, pondera Sgarbi.

Minerais indicadores

O coordenador da pesquisa esclarece que, para verificar se uma estrutura corresponde a um kimberlito, é preciso confirmar sua assinatura mineralógica, ou seja, a presença dos minerais indicadores: Piropo, Ilmenita, Espinélio e Diopsídio. “No início dos trabalhos, para identificar os quatro elementos, precisávamos realizar análises físicas em laboratório. Hoje, no entanto, nós mesmos identificamos visualmente os minerais, localizamos os kimberlitos e fazemos a coleta de material para testes em laboratórios na UFMG”, ressalta Sgarbi.

Quando é confirmada a existência do kimberlito, as amostras de seus minerais são encaminhadas para o Laboratório de Microanálise da Universidade onde são examinadas por uma microssonda eletrônica. Tais estudos podem apontar a possibilidade de existência de diamantes nas estruturas vulcânicas. “Nessa etapa, verificamos a assinatura geoquímica dos minerais. Para que a formação rochosa seja considerada economicamente viável, as pedras encontradas precisam apresentar teores específicos de elementos como Cromo, Cálcio e Magnésio”, aponta o coordenador.

Ele completa que essa metodologia, desenvolvida pelo grupo, pode fornecer subsídios para empresas exploradoras e pequenos empreendimentos. “Além do pioneirismo no Estado, em termos acadêmicos, a pesquisa constitui importante base para a geologia e o conhecimento da terra e dos recursos que dispomos”, finaliza.

Parcerias

O trabalho foi realizada por meio de quatro projetos subseqüentes, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O último projeto teve a sigla APQ-00118-08. As pesquisas contaram com apoio da Fundep, que realizou a gestão administrativo-financeira dos recursos. Entre as atividades realizadas pela Fundação estão a compra de materiais de consumo e permanente, pagamento de bolsas, passagens e diárias, contratação de serviços e prestação de contas.