A escassez de doutores e pesquisadores nas empresas brasileiras é uma realidade
Ao longo dos anos, as contratações desses profissionais caíram em mais de 26%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Dado considerado crítico por muitos gestores na área de CT&I, uma vez que sem eles, o progresso e desenvolvimento da pesquisa e da inovação ficam comprometidos.
A constatação desse fato foi debate na reunião da Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados (FPCTPI), realizada no dia 14 de maio.
Segundo o diretor de tecnologia da Vale S.A, Luiz Mello, muitas pessoas acham que as empresas são limitadas e não percebem o valor do pesquisador. "Não é bem assim. As empresas são limitadas, pois precisam trazer retorno para seus acionistas. Se o pesquisador for mais um indutor do processo de desenvolvimento da empresa, ele será contratado. O importante para o gestor, é que o bom e eficiente funcionário traga resultados". Mello observa que as empresas estão contratando menos pelas condições regimentais do País. "Existem limitações, mas estas não podem ser impeditivas. Mas é isso que elas se tornaram".
O coordenador de PI da Secretaria de Negócios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Chang das Estrelas Wilches, acrescenta que fazer valer a lei, no caso a Lei do Bem, é muito difícil, pois a burocracia é enorme. "Esta lei gera impedimentos para a contratação de serviço de propriedade intelectual no Brasil. Em algum momento o profissional contratado será terceirizado e vai esbarrar na área jurídica".
Outro fator que atrapalha o progresso das empresas na área de PD&I é a tributação do setor. Investir fora do país é melhor, mais barato. ?A carga tributária desestimula investimentos no Brasil. Esta cada vez mais caro fazer pesquisa. Os custos das plataformas e equipamentos são altos. Todas essas questões estão inviabilizando o crescimento intelectual, científico e tecnológico", complementa o coordenador da Comissão Tecnológica da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Paulo Coutinho.
Crescimento
O Brasil (governo e empresas) gasta cerca de 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na área de CT&I. Hoje o investimento é de quase R$ 20 bilhões por ano, o que coloca o País em uma situação favorável, mais muito aquém de países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Coréia, Japão, França, entre outros. "O País precisa ampliar gastos com PD&I e incorporar medidas que reforcem a competitividade e inovação ao longo de suas políticas", relata Luiz Mello.
Código Nacional de CT&I
O presidente da FPCTPI , deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), vai entregar uma síntese com todas as sugestões de melhoria nas leis que regem a ciência, tecnologia e inovação para o relator do Código Nacional de CT&I, deputado Sibá Machado. O documento conta com a participação de todos os representantes de incubadores, de parques tecnológicos, de entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, de empresas públicas e privadas, que participaram das reuniões da Frente Parlamentar.
Fonte: portal Agência Gestão CT&I